Após a abertura do Ano Legislativo de 2026, o prefeito de Uberlândia, Paulo Sérgio (PP), foi direto ao ser provocado sobre a herança administrativa deixada pelo ex-prefeito Odelmo Leão (PP).
Durante coletiva de imprensa, ao ser questionado se o município enfrentaria os mesmos problemas financeiros caso a gestão anterior tivesse permanecido por mais um ano, o prefeito respondeu sem rodeios:
“Eu acho que passaria pelas mesmas dificuldades, mas nós fomos muito proativos.”
A frase, dita em tom sereno, carrega peso político. Paulo Sérgio evita o confronto explícito com o antecessor, mas deixa claro que a diferença entre as gestões esteve na forma de reagir ao cenário fiscal.
Dívida assumida e ação imediata
Pela primeira vez, o prefeito também admitiu publicamente que a Prefeitura recebeu dívidas, abandonando o termo técnico “restos a pagar”. Segundo ele, 2025 foi um ano duro, marcado por ajuste interno e reorganização administrativa.
O prefeito afirmou que o município herdou uma avaliação fiscal negativa, com capacidade de pagamento classificada como C, mas que conseguiu reverter parte do cenário ao longo do ano.
Entre as medidas adotadas, Paulo Sérgio destacou a revisão de contratos, a redução de gastos e a priorização do pagamento em dia de servidores, férias, 13º salário e fornecedores.
“Não adianta ficar reclamando que o outro deixou dívida. Nós não somos de reclamar, somos de fazer”, afirmou.
Busca por recursos e novo fôlego
Ao responder à pergunta, o prefeito reforçou que a estratégia do governo foi buscar recursos em todas as frentes possíveis. Segundo ele, Uberlândia captou novas receitas junto ao Governo de Minas, com cerca de R$ 120 milhões, além de financiamentos com bancos federais e recursos do governo federal.
Paulo Sérgio destacou ainda que o município foi o que mais apresentou projetos no PAC entre os mais de 5.600 municípios brasileiros, garantindo aproximadamente R$ 800 milhões em investimentos, parte deles a fundo perdido.
Além disso, lembrou os financiamentos assinados com a Caixa Econômica Federal, BNDES e outros agentes, todos aprovados pela Câmara Municipal.
Recado político sem embate
Nos bastidores, a leitura é que o prefeito escolheu um caminho calculado. Ao afirmar que as dificuldades existiriam independentemente de quem estivesse no comando, ele evita personalizar a crise, mas reforça a narrativa de que sua gestão foi mais ativa e pragmática.
O recado é duplo: reconhece o problema herdado, mas transfere o foco para a capacidade de reação do atual governo.
Em um ambiente ainda marcado pelo distanciamento político entre os dois líderes do PP em Uberlândia, a resposta do prefeito indica que o embate, ao menos por ora, seguirá mais no campo do discurso indireto do que do ataque frontal.

Esse Conteúdo faz parte da Coluna Poder, assinada por Adelino Júnior, que acompanha os bastidores da política no Triângulo Mineiro.
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