A tramitação dos Processos Administrativos Disciplinares (PADs) em Uberlândia tem atingido momentos decisivos neste início de ano. O Diário Oficial do Município desta segunda-feira (23) trouxe o desfecho de um dos casos mais sensíveis da atual gestão: a manutenção da demissão da servidora acusada de envolvimento direto no desvio de R$6,5 milhões dos cofres públicos. O ato marca a negativa do pedido de reconsideração, esgotando as instâncias administrativas para a defesa.
A decisão, ratificada pelo Secretário de Administração, Celso Pereira de Faria, encerra o ciclo iniciado em 23 de janeiro, quando a sentença expulsória foi originalmente publicada. O esquema, desmantelado pela Operação Tratamento Fantasma, utilizava o programa de Tratamento Fora do Domicílio (TFD) para realizar pagamentos fraudulentos e desvios para contas pessoais.
Herança sistêmica
Embora o desfecho administrativo ocorra agora, as investigações apontam que o problema é mais profundo e antigo do que a atual conjuntura sugere. Informações colhidas pela coluna indicam que os desvios milionários no TFD tiveram início ainda durante a gestão do ex-prefeito Odelmo Leão.
O esquema teria operado atravessando mandatos e evidenciando falhas históricas nos mecanismos de controle interno da Secretaria de Saúde.
Parecer da CPI no horizonte: Arquivamento à vista?
No Legislativo, o clima é de expectativa e cálculo político. O relator da CPI da Saúde, vereador Neemias Miqueias, confirmou à coluna que a reunião para a leitura do parecer final poderá ser marcada ainda para esta semana. No entanto, o “feeling” nos bastidores da Câmara é de que o relatório pode caminhar para o arquivamento.
Existem dois fatores técnicos que pesam para esse provável encerramento. Primeiro, a Procuradoria Jurídica da Casa já recomendou o arquivamento da atual comissão. Segundo, já foi proposta a abertura de uma nova CPI sobre o mesmo tema, o que na prática “zera o cronômetro” da investigação parlamentar. Para aliados do governo, a punição administrativa confirmada hoje no Diário Oficial esvazia parte do discurso de omissão.
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O desfecho do caso em Uberlândia funciona como um termômetro político para a região. Cidades como Araguari e Uberaba acompanham de perto como as instituições uberlandenses reagem a esquemas de corrupção.

Coluna Poder • Conteúdo assinado por Adelino Júnior , jornalista e editor-chefe do Regionalzão, acompanhando os bastidores da política no Triângulo Mineiro.
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