O deputado André Janones voltou a tensionar o clima na Câmara dos Deputados ao afirmar, em discurso no plenário, que acredita que sua cassação deve ser votada “em quatro ou cinco meses”. A fala ocorreu durante uma manifestação de apoio ao deputado Glauber Braga, lembrado por ele como uma das vozes mais firmes contra o avanço das punições aplicadas pelo Conselho de Ética.
Janones construiu o discurso com tom pessoal. Recordou o primeiro dia de mandato, quando elogiou Glauber por enfrentamentos antigos com figuras de peso da política nacional. Disse que sempre o considerou um exemplo de coragem. O paralelo serviu de ponte para declarar que agora enfrenta, segundo ele, o mesmo tipo de processo político.
O deputado fez referência às mudanças recentes que ampliaram o poder do Conselho de Ética, permitindo suspensões cautelares. Ele afirmou que, naquela ocasião, poucos parlamentares se opuseram à medida e que Glauber foi um dos mais vocais.
Janones também relatou que chegou a considerar recuar diante das pressões de bastidor, mas decidiu manter a postura. “Prefiro perder o meu mandato de cabeça erguida do que manter um mandato andando escondido pelos corredores como um rato”, disse.
O parlamentar reforçou que já há relatório preliminar aprovado contra ele e voltou a repetir na tribuna as acusações feitas ao deputado Gustavo Gayer — declarações que originaram parte dos processos que enfrenta. Para setores da Câmara, a reincidência tende a acelerar o trâmite.
Nos bastidores, a fala é lida como uma antecipação calculada do discurso que pretende sustentar caso o processo avance. Janones sinaliza que quer transformar eventual cassação em um ato político, reforçando seu alinhamento com setores da esquerda combativa e tentando mobilizar sua base digital.
Conteúdo faz parte da Coluna Poder, assinada por Adelino Júnior, que acompanha os bastidores da política no Triângulo Mineiro.
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