O clima subiu no plenário da Câmara Municipal de Uberlândia durante a sessão da última sexta-feira. Em meio a debates acalorados, o vereador Pezão (DC) afirmou que, se for gravado por assessores de outros parlamentares, “vai dar trabalho”.
A fala ocorreu em sessão pública, transmitida oficialmente e disponível nas redes da própria Câmara. Mesmo assim, o parlamentar reagiu à possibilidade de ser filmado por assessorias de colegas.
“Se eu pegar alguém gravando, mesmo a gente sendo público, eu vou dar trabalho para essa Casa.”
A declaração repercutiu imediatamente no plenário.
Esclarecimento após a repercussão
Após a sessão, o vereador enviou posicionamento à reportagem esclarecendo que não é contra gravações em sessões públicas.
Segundo ele, qualquer cidadão pode registrar imagens, já que os trabalhos são transmitidos oficialmente e permanecem disponíveis nas plataformas digitais.
O ponto de discordância, afirma, é quando assessores de outros vereadores gravam especificamente seu conteúdo para uso político.
“Eu não sou contra gravação em sessão pública. Está tudo ao vivo, qualquer cidadão pode gravar. O que eu não aceito é assessor de outro vereador tentar gravar conteúdo meu para usar politicamente.”
Ele acrescentou que, caso identifique esse tipo de situação, pedirá a retirada do conteúdo e poderá tomar providências formais.
Transparência ou disputa política?
O episódio revela um cenário cada vez mais comum no Legislativo de Uberlândia.
O plenário deixou de ser apenas espaço de debate institucional. Virou também ambiente de produção permanente de conteúdo político. Falas são recortadas, editadas e redistribuídas em redes sociais quase em tempo real.
Nos bastidores, vereadores admitem que a disputa digital intensificou o ambiente interno. A câmera virou ferramenta política.
A questão agora não é apenas jurídica. É estratégica.
A sessão é pública. A transmissão é pública. O mandato é público.
Mas, para alguns parlamentares, o uso do conteúdo por adversários políticos ultrapassa o limite do aceitável.
Clima tenso no plenário
A fala aconteceu em meio a uma sessão marcada por embates mais duros entre parlamentares. O presidente precisou intervir para manter a ordem em determinados momentos.
A expressão “vai dar trabalho” acabou simbolizando o nível de tensão do dia.
Se haverá desdobramento formal ou se o episódio ficará restrito ao campo político, ainda é cedo para afirmar.
O fato é que, na Câmara de Uberlândia até a gravação virou pauta.
Esse conteúdo faz parte da Coluna Poder, assinada por Adelino Júnior, que acompanha os bastidores da política no Triângulo Mineiro.
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