Vereador Queijinho aciona a Polícia por difamação em caso de “rachadinha”

Parlamentar afirma que teve a honra atingida por publicações nas redes sociais e nega que o acordo judicial firmado com o Ministério Público represente confissão de crime. Documentos obtidos pelo Regionalzão com exclusividade mostram os bastidores da investigação.

Adelino Júnior
Vereador de Uberlândia, Antonio Augusto queijinho na tribuna da Câmara de Uberlândia
Vereador Antonio Augusto (Queijinho) Foto: Aline Rezende

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O vereador Antônio Augusto (Queijinho), de Uberlândia, formalizou uma representação na 4ª Delegacia de Polícia Civil contra João Vitor Oliveira Macedo — estudante de Direito e suplente de vereador pelo PSDB — e Tiago Silva Freitas, advogado e ex-assessor de seu gabinete. O inquérito apura o crime de difamação, em razão de postagens e vídeos divulgados nas redes sociais associando o parlamentar a um suposto esquema de “rachadinha”.

Segundo o documento, Queijinho afirma ter sido alvo de uma série de ataques virtuais desde setembro, quando os dois investigados passaram a publicar conteúdos sobre o Acordo de Não Persecução Penal (ANPP) que ele firmou com o Ministério Público em junho deste ano. O vereador sustenta que os vídeos distorcem os fatos e ferem sua honra ao afirmar que ele teria confessado o crime de rachadinha.

Acordo de Não Persecução Penal (ANPP) é um instrumento jurídico previsto no Código de Processo Penal que permite ao investigado reconhecer parcialmente a responsabilidade pelo fato e cumprir condições estabelecidas pelo Ministério Público, como pagamento de multa ou prestação de serviços, evitando assim a abertura de um processo criminal. O acordo só pode ser proposto em casos de menor gravidade e não resulta em condenação judicial, sendo extinta a punibilidade após o cumprimento das obrigações.

O parlamentar alega ainda que houve quebra de sigilo judicial, já que o ex-assessor Tiago Freitas teria acessado o processo e compartilhado informações reservadas com João Vitor.

Os documentos do inquérito, aos quais o Regionalzão teve acesso, não são públicos e mostram que o caso ainda está em fase de instrução, com diligências e oitivas em andamento.

Vereador de Uberlândia, Antonio Augusto queijinho na tribuna da Câmara de Uberlândia
Vereador Antonio Augusto (Queijinho) Foto: Aline Rezende

O caso vem sendo acompanhado por aliados do vereador, que enxergam na ação policial uma tentativa de recompor a imagem pública de Queijinho após a repercussão negativa do ANPP. O acordo judicial, celebrado no âmbito da 2ª Vara Criminal de Uberlândia, prevê o pagamento de cinco salários mínimos e o ressarcimento de valores, mas não gera condenação judicial e extingue a punibilidade após o cumprimento das condições.

Nota do advogado Tiago Freitas

Procurado pelo Regionalzão, o advogado Tiago Silva Freitas afirmou que recebe a representação “com uma mistura de alegria e de sensação de dever cumprido”. Segundo ele, a iniciativa do vereador “só ocorreu em razão dos depoimentos prestados contra ele perante o GAECO”.

“A representação do vereador eu recebo com uma mistura de alegria e que valeu a pena não me corromper. Ele só fez isso por causa dos depoimentos contra ele perante o GAECO. Inclusive ele atribui a mim tal processo em que ele é réu confesso pelo crime de rachadinha. Já estou preparando a minha representação por denunciação caluniosa e por ele ter exposto todos os colaboradores do PIC”, declarou.

Nota de João Vitor Macedo

Procurado pelo RegionalzãoJoão Vitor Macedo, estudante de Direito e suplente de vereador pelo PSDB, afirmou que foi intimado a prestar depoimento no inquérito instaurado a partir da notícia-crime apresentada por Queijinho. Segundo ele, conforme documentos oficiais, o vereador celebrou um Acordo de Não Persecução Penal (ANPP) perante o Ministério Público, posteriormente homologado pelo Tribunal de Justiça, relacionado à chamada “rachadinha”.

“Fui intimado pela Polícia Civil a prestar depoimento em inquérito instaurado a partir de notícia-crime apresentada pelo vereador Antônio Augusto Queijinho. Conforme documentos oficiais, o noticiante celebrou Acordo de Não Persecução Penal (ANPP) perante o Ministério Público de Minas Gerais, posteriormente homologado pelo Tribunal de Justiça do Estado, em procedimento investigatório relacionado à chamada “rachadinha” (peculato, art. 312 c/c art. 71 do Código Penal). A celebração do ANPP exige confissão (art. 28-A do Código de Processo Penal).
Ainda assim, o noticiante afirmou à Polícia não ter confessado qualquer crime e tenta imputar a mim o crime de difamação por tê-lo denunciado.
Permaneço tranquilo e confiante no trabalho da Polícia Civil. Minha manifestação limitou-se a narrar fatos de interesse público, no exercício regular de direito e com respaldo jurídico, inclusive quanto à possibilidade de comprovação da veracidade dos fatos, nos termos da lei. Confio que a investigação reconhecerá a improcedência da imputação.”

Nota do vereador Queijinho

Procurado pelo Regionalzão, o vereador Antônio Augusto (Queijinho) afirmou lamentar a postura de João Vitor Macedo, que, segundo ele, vem promovendo ataques nas redes sociais com informações falsas e distorcidas.

“É lamentável a postura do cidadão João Vitor, que há tempos vem me atacando nas redes sociais. Como todos sabem, ele vem disseminando informações sabidamente inverídicas, distorcendo e descontextualizando a realidade dos fatos e informações, tudo isso buscando ascensão em suas pretensões políticas. Digo lamentavelmente, porque ao invés de utilizar as redes sociais para apresentar suas ideias, projetos e proposições à população, vem produzindo conteúdo difamatório, calunioso e inverídico, inclusive com patrocínio de vídeos nas redes sociais. Toda a situação já foi encaminhada para a Polícia Civil e Justiça Eleitoral para as providências cabíveis e devido à gravidade da conduta de João Vitor, os procedimentos estão sob sigilo. Reafirmo meu compromisso de trabalho sério e comprometido com o povo de Uberlândia, e coloco o nosso gabinete à disposição.”

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