A discussão sobre o preço dos combustíveis em Uberlândia ganhou contornos institucionais. A vereadora Liza Prado formalizou pedidos de fiscalização junto ao Procon e ao Ministério Público de Defesa do Consumidor, após relatar indícios de uniformização de valores nos postos da cidade e ausência de repasse de reduções anunciadas pela Petrobras.
Segundo a parlamentar, desde o início de janeiro o valor da gasolina em Uberlândia passou a se manter praticamente no mesmo patamar, independentemente da bandeira do posto, com o litro sendo comercializado a R$ 6,39. O cenário, de acordo com ela, chama atenção diante de anúncios recentes de redução no preço praticado pelas refinarias.
“Desde o início de janeiro, o preço da gasolina em Uberlândia passou a ser praticamente uniforme, independentemente da bandeira do posto”, afirmou a vereadora na tribuna da Câmara Municipal.
Redução anunciada e não repassada
Durante o pronunciamento, Liza Prado destacou que, no dia 26 de janeiro de 2026, a Petrobras anunciou uma redução de R$ 0,14 no valor do litro da gasolina. Passados mais de sete dias, segundo a vereadora, o desconto ainda não teria sido percebido pelo consumidor final nos postos de Uberlândia.
“Já se passou mais de uma semana desde esse anúncio e, até o momento, esse desconto não foi repassado ao consumidor nas bombas da cidade”, declarou.
A parlamentar reconheceu a complexidade de comprovar práticas ilegais no setor, mas defendeu que os indícios merecem apuração. “É difícil provar cartel, eu sei que para a fiscalização não é fácil, mas o fato é que Uberlândia pratica preços mais elevados quando comparada, por exemplo, ao município de Araguari”, disse.
Comparação regional e impacto no bolso
A denúncia ganhou repercussão após a vereadora divulgar um vídeo comparando preços entre Uberlândia e Araguari, onde a diferença apontada chegou a cerca de R$ 1,10 por litro.
Na tribuna, ela voltou a citar o impacto direto dessa diferença para trabalhadores que dependem do carro diariamente. “Um motorista de aplicativo pode economizar cerca de R$ 50 por tanque. No fim do mês, isso pode representar uma economia de aproximadamente R$ 1.500”, afirmou.
Além da questão do preço, o pedido de fiscalização também solicita a verificação da qualidade do combustível comercializado nos postos da cidade, ampliando o escopo da apuração.
Nos bastidores, o movimento sinaliza que o tema deve permanecer no radar político. A cobrança pública por fiscalização coloca pressão sobre os órgãos de controle e abre espaço para novos desdobramentos institucionais, a depender das respostas do Procon, do Ministério Público e de eventuais manifestações do setor.

Esse conteúdo faz parte da Coluna Poder, assinada por Adelino Júnior, que acompanha os bastidores da política no Triângulo Mineiro
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