A corrida eleitoral de 2026 já começou nos bastidores de Uberlândia — e trouxe junto um velho dilema da política brasileira: trocar de partido para viabilizar candidatura pode custar o próprio mandato.
No caso dos vereadores, o risco é ainda mais sensível. A chamada “janela partidária” não se aplica fora do período eleitoral municipal. Ou seja, quem muda de sigla sem justa causa pode ser alvo de ação por infidelidade partidária e perder o cargo.
O jogo político e os riscos jurídicos
A legislação eleitoral prevê que o mandato pertence ao partido. Assim, ao trocar de legenda fora das hipóteses legais — como mudança substancial do programa partidário ou grave discriminação pessoal — o vereador abre margem para questionamento judicial.
Na prática, quem pode provocar essa perda de mandato são:
– o próprio partido
– suplentes diretamente interessados
– ou o Ministério Público Eleitoral
O prazo é de 30 dias a partir da desfiliação.
Se ninguém acionar a Justiça dentro desse período, o vereador permanece no cargo.
Caso a caso: bastidores da movimentação
Sérvio Túlio (PSDB)
Não deve disputar as eleições. Sem liberação partidária para mudar de sigla e distante de lideranças do próprio partido neste momento, opta por permanecer onde está. Nos bastidores, se aproxima de Zé Vitor (PL) e Arnaldo Silva (União Brasil).
Anderson Lima (PL)
É o caso mais sensível. Deixou o Podemos alegando ter anuência para a mudança e firmou dobradinha com Nikolas Ferreira.
O vereador afirma que houve autorização, mas a existência formal desse documento não foi confirmada publicamente. Mesmo assim, mantém a pré-candidatura ativa.
Conrado Augusto (MDB)
Adota cautela. Permaneceu no partido e evita avançar na pré-candidatura. O discurso público é de foco no mandato, o que indica baixa probabilidade de disputa.
Ronaldo Tannús (Podemos)
Mudou de partido sem anuência do PSDB e entrou no Podemos. Pré-candidato a deputado federal, assume um risco jurídico relevante.
Nos bastidores, conta com a proximidade com Marcelo Aro e se mantém vinculado a um projeto político mais amplo.
Suplentes de olho
A movimentação também aquece os suplentes:
– PSDB (vaga de Sérvio e Tannús): Guilherme de Freitas e Walquir
– MDB (Conrado Augusto): Jefferson Rangel
– PL (Anderson Lima): Fábio Depin
São esses atores que poderiam provocar judicialmente a perda de mandato.
O pano de fundo político
Mais do que uma disputa eleitoral, o cenário revela reorganização de forças.
De um lado, partidos tentam montar chapas competitivas. De outro, vereadores calculam riscos entre manter o mandato ou apostar em voos maiores.
Nos bastidores, a regra é clara: ninguém quer abrir mão da cadeira sem algum nível de segurança.
Mas, como sempre na política, a decisão final muitas vezes não passa apenas pela lei — e sim por quem decide acionar o jogo.
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Conteúdo faz parte da Coluna Poder, assinada por Adelino Júnior, com análises exclusivas da política em Uberlândia, no Triângulo Mineiro e em Minas Gerais. Sugestões, informações e denúncias também podem ser enviadas pelo WhatsApp: (34) 99791-0994.
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