Os vereadores Prof. Ronaldo Amélio (PT) e Dr. Igino (PT) protocolaram denúncia pedindo a cassação do mandato do vice-prefeito Vanderlei Pelizer (PL), após a divulgação de um vídeo gravado dentro do Centro Administrativo durante uma mostra escolar sobre racismo. O pedido marca a primeira grande ofensiva política formal após a repercussão do episódio.
Não é a primeira vez que o vice-prefeito enfrenta questionamentos públicos deste porte. Em Julho, ele já havia sido alvo de outra denúncia protocolada na Câmara, após sua participação em um evento internacional gerar desgaste político e motivar um pedido formal de cassação — episódio registrado pela Coluna Poder no Regionalzão.
No material, compartilhado nas redes sociais, Pelizer aparece comentando a apresentação de uma aluna negra, que recita poesia afirmando sua identidade racial. Em seguida, o vice-prefeito se dirige ao público e comenta: “Pessoal, observem bem o que nós como governo de direita temos que enfrentar todos os dias aqui na Prefeitura.”
Em outro trecho, ele critica o trabalho pedagógico desenvolvido na rede municipal e dispara contra professores: “Não podemos aceitar uma lavagem cerebral que é realizada muitas vezes em nossas crianças, pior, por coordenadores ou professores despreparados que não sabem nem explicar aquilo que está se ensinando.”
No mesmo vídeo Pelizer também mostra as páginas de um livro onde o ex Presidente Bolsonaro e seus seguidores são chamados de ” ratos que saíram do esgoto”.
Denúncia fala em racismo e afronta à educação antirracista
Na peça protocolada na Câmara Municipal, os vereadores sustentam que o vice-prefeito cometeu crime de racismo ao desqualificar manifestações de identidade negra e ao tratar a educação antirracista como “lavagem cerebral”. O episódio teria ocorrido em mostra organizada por escolas municipais, com a participação de alunos que apresentaram poesias e trabalhos sobre o tema.
Para os autores da denúncia, Pelizer não apenas criticou um material didático, mas “atuou para desqualificar e humilhar uma atividade pedagógica antirracista, protagonizada por crianças negras, apresentando-a como produto de lavagem cerebral”. O texto cita a Constituição Federal, que trata o racismo como crime inafiançável, e a Lei 7.716/1989, que pune condutas discriminatórias de raça ou cor.
O documento também faz referência à Lei 10.639/2003, que tornou obrigatória a abordagem da história e cultura afro-brasileira nas escolas, e às Diretrizes Curriculares Nacionais para a Educação das Relações Étnico-Raciais. Na avaliação dos parlamentares, ao atacar esse tipo de conteúdo, o vice-prefeito se colocou em confronto direto com políticas públicas de igualdade racial.
Outro ponto sensível é a exposição da criança. Com base no Estatuto da Criança e do Adolescente, os vereadores afirmam que a postura do vice-prefeito gerou constrangimento e violou o dever de proteção à dignidade de alunos e alunas envolvidos na mostra.
Câmara será palco de disputa sobre cassação
A denúncia pede a abertura de processo político-administrativo com base no Decreto-Lei 201/1967, que trata da responsabilidade de prefeitos e vice-prefeitos. O enquadramento principal é o artigo 4º, inciso X, que fala em “proceder de modo incompatível com a dignidade e o decoro do cargo”.
Na prática, se a Mesa Diretora receber a denúncia e o plenário autorizar, será formada uma Comissão Processante para ouvir testemunhas, analisar provas e, ao final, recomendar a cassação ou o arquivamento. Qualquer decisão de perda de mandato dependerá de voto favorável de dois terços dos vereadores.
O pedido também inclui o envio integral do caso ao Ministério Público de Minas Gerais, para apuração de eventual crime de racismo e adoção de medidas de proteção às crianças envolvidas e à comunidade negra de Uberlândia.
Teste para a agenda antirracista na cidade
A denúncia também coloca à prova o compromisso institucional da cidade com a agenda antirracista. A atividade em que o vídeo foi gravado tinha justamente o objetivo de discutir racismo com crianças da rede municipal, dentro de um programa pedagógico voltado à equidade racial.
Ao questionar esse tipo de iniciativa como “lavagem cerebral”, Pelizer se alinha a um discurso que tende a ganhar eco em segmentos conservadores, mas que também pode acionar forte reação de movimentos negros, entidades de educação e coletivos ligados à universidade. A Câmara passa a ser o palco onde essas visões de mundo vão se confrontar, com impacto direto na imagem do governo e na relação do Executivo com a comunidade escolar.
O que Pelizer publicou
Vanderlei Pelizer publicou um texto nas redes sociais afirmando que o racismo no Brasil seria “marginal e não estrutural” e que movimentos antirracistas e identitários estariam sendo usados como instrumentos de agendas “marxistas e globalistas”. Ele também citou ONGs estrangeiras, como Ford e Rockefeller, afirmando que essas organizações fomentariam divisões raciais no país.
Em sua postagem, Pelizer escreveu:
“O racismo sistemático requer organizações, leis e crenças ativas, mas no Brasil e EUA, é marginal e não estrutural: como militantes da esquerda tentam afirmar. Existem incidentes isolados que são inflados por militâncias, sem evidências de movimentos racistas organizados. Desigualdades econômicas seriam decorrentes de fatores históricos, como o atraso pós-abolição, não de ideologia racista intencional.”
O vice-prefeito afirmou ainda que o discurso antirracista teria sido “cooptado por agendas revolucionárias” e que transformar o Brasil em um país “racista” seria uma fraude.“
Ele também citou o político e escritor Fernando Holiday, mencionando o conceito de “senzala ideológica” como exemplo de narrativas que, segundo ele, fomentariam divisões artificiais.
O que disse o vereador Dr. Igino
Após o episódio, o vereador Dr. Igino divulgou um vídeo com críticas contundentes ao vice-prefeito. Na gravação, ele afirma:
“Esse vice-prefeito de Uberlândia é um vagabundo. O dia inteiro sem fazer nada na sala dele. Agora, no meio de uma apresentação cultural de professores da cidade, ele humilha uma professora, praticando censura e assédio moral.”
O parlamentar disse ainda que protocolará o pedido de cassação:
“É por isso que amanhã eu vou protocolar na Câmara Municipal um pedido de cassação. Uberlândia não quer ficar refém de um sujeito desses um dia virar prefeito.”
No vídeo, Igino relembra ações junto à comunidade estudantil e parte para confrontar diretamente Pelizer sobre o conceito de empoderamento:
“Nós da esquerda respeitamos e valorizamos a educação. Empoderamento… Pelizer, cê quer aula? Então vamos lá: empoderamento é um processo que visa aumentar a capacidade de indivíduos ou grupos para tomar decisões.”
O vereador reforça que a decisão política já foi tomada:
“Nós tomamos uma decisão: cassação do vice-prefeito. Primeiro porque ele é vagabundo, não faz nada o dia inteiro. Depois, porque cometeu crime de improbidade administrativa ao atacar uma professora em pleno exercício da sua profissão.”
No final do vídeo, Igino convoca um ato político na porta da Prefeitura:
Conteúdo faz parte da Coluna Poder, assinada por Adelino Júnior, que acompanha os bastidores da política no Triângulo Mineiro.
Envie informações e sugestões à coluna pelo WhatsApp: (34) 99791-0994.

Parabéns ao jornalista da Coluna Poder, Adelino Júnior, por nos informar sobre o que acontece nos bastidores da política em Minas e Uberlândia. A fala do vice prefeito num evento reunindo estudantes na Prefeitura foi, no mínimo, preconceituosa e constrangedora para as crianças e professores. O fato tem que ser apurado pelo Ministério Público! Aguardemos.
Parabéns ao jornalista da Coluna Poder, Adelino Júnior, por nos informar sobre o que acontece nos bastidores da política em Minas e Uberlândia. A fala do vice prefeito num evento reunindo estudantes na Prefeitura foi, no mínimo, preconceituosa e constrangedora para as crianças e professores. O fato tem que ser apurado pelo Ministério Público! Aguardemos.