Xadrez eleitoral em Minas: convenções terminam, mas tabuleiro segue em movimento

Fim das convenções consolida candidaturas, fortalece alianças e mostra que, na política mineira, decisão também é ativo eleitoral

Adelino JúniorHosa Freitas
Bandeira do estado de minas gerais
Foto: Divulgação - Bandeira de Minas Gerais

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Uberlândia – O encerramento das convenções partidárias, na última quarta-feira (5), redesenhou o cenário da disputa pelo Palácio Tiradentes. Mais do que homologar candidaturas, o fim dessa etapa revelou duas lições importantes: enquanto a hesitação pode custar espaço político, manter alternativas abertas pode ampliar o poder de negociação.

Os dois principais movimentos das convenções ilustram esse cenário. De um lado, a indefinição em torno da pré-candidatura do senador Cleitinho (Republicanos). De outro, a estratégia adotada pelo União Progressistas, que oficializou apoio ao governador Mateus Simões (PSD), mas deixou para um segundo momento a definição do candidato a vice-governador.

O preço do “vai ou não vai”

A política mineira sempre foi marcada por lideranças que calculam seus movimentos antes de tomarem decisões públicas. Em um estado onde a articulação política costuma pesar tanto quanto a popularidade, convicção também é vista como atributo de liderança.

Foi justamente nesse ponto que a trajetória de Cleitinho durante a pré-campanha ganhou destaque.

Mesmo liderando diferentes levantamentos de intenção de voto, sua possível candidatura ao Governo de Minas foi acompanhada por sucessivos recuos, manifestações contraditórias e divergências públicas com dirigentes do Republicanos.

O capítulo mais recente ocorreu durante a convenção estadual da legenda.

Ao contrário do que muitos esperavam, a ata não registrou candidatos ao Governo de Minas. Em vez disso, concentrou nas mãos do presidente estadual do partido, deputado Euclydes Pettersen, a responsabilidade pelas definições posteriores dentro do prazo previsto pela legislação eleitoral.

Na prática, a decisão retirou da direção nacional do Republicanos o centro da pressão política e transferiu para a executiva mineira a condução das definições.

Do ponto de vista jurídico, a medida preservou a possibilidade de novas decisões até o registro das candidaturas.

Politicamente, porém, o desgaste provocado pelo prolongado “vai ou não vai” já havia alterado o ambiente da disputa.

Nos bastidores da política mineira, um velho ditado costuma resumir situações como essa: “quem muito se benze, deixa o santo desconfiado.”

A maior reviravolta das convenções

Se o Republicanos viveu dias de indefinição, o campo governista encerrou as convenções com um dos movimentos mais relevantes do processo eleitoral.

Depois de semanas de negociações, o União Progressistas oficializou apoio à candidatura de Mateus Simões (PSD) ao Governo de Minas.

A decisão consolidou uma das alianças mais importantes da eleição e ampliou a base política do atual governador.

Mas o anúncio veio acompanhado de uma estratégia.

Embora tenha confirmado o apoio, a federação optou por deixar em aberto a indicação do candidato a vice-governador, mantendo as negociações até o prazo final para registro das chapas.

A decisão preserva margem para futuras composições e mantém uma das posições mais importantes da eleição como instrumento de articulação política.

Em um cenário de negociações intensas, deixar uma vaga estratégica em aberto também significa ampliar o poder de barganha até o encerramento do calendário eleitoral.

Como ficou a disputa pelo Governo de Minas

Com o encerramento das convenções, o cenário eleitoral reúne cinco candidaturas ao Palácio Tiradentes:

  • Mateus Simões (PSD): atual governador, chega às eleições com o apoio da base construída por Romeu Zema e reforçada pela entrada do União Progressistas.
  • Alexandre Kalil (PDT): ex-prefeito de Belo Horizonte, passa a ocupar posição de destaque nos cenários sem Cleitinho e aposta no histórico de sua gestão na capital.
  • Flávio Roscoe (PL): empresário lançado pelo PL para representar o campo conservador e disputar o eleitorado alinhado ao ex-presidente Jair Bolsonaro.
  • Patrus Ananias (PT): será o representante do presidente Luiz Inácio Lula da Silva em Minas Gerais e lidera o projeto do campo progressista.
  • Gabriel Azevedo (MDB): ex-presidente da Câmara Municipal de Belo Horizonte, tenta construir uma alternativa de centro na disputa estadual.

O relógio eleitoral continua correndo

Embora as convenções tenham terminado, o calendário eleitoral ainda reserva uma etapa importante.

Os partidos têm até 15 de agosto para encaminhar à Justiça Eleitoral toda a documentação necessária para o registro das candidaturas, incluindo atas, certidões e demais documentos exigidos.

É dentro desse prazo que podem ser concluídas definições previstas nas próprias convenções, como a indicação de candidatos para vagas mantidas em aberto, respeitando os limites estabelecidos pela legislação eleitoral.

A partir de 16 de Agosto, começa oficialmente a campanha.

Será quando o debate deixará definitivamente os bastidores para ganhar as ruas, as redes sociais e o horário eleitoral.

As convenções deixaram, porém, uma mensagem que tende a acompanhar toda a disputa de 2026.

Enquanto alguns grupos utilizaram o tempo para ampliar sua capacidade de negociação, outros precisaram administrar o desgaste provocado pelas indefinições.

No fim das contas, a política mineira mostrou mais uma vez que o tempo eleitoral não perdoa. Decidir cedo pode significar abrir mão de espaço para negociar. Decidir tarde demais pode significar perder espaço no próprio tabuleiro. Esse talvez seja o principal legado das convenções que encerraram oficialmente a formação das chapas para a disputa pelo Governo de Minas.

Conteúdo faz parte da Coluna Poder, assinada por Adelino Júnior, que acompanha os bastidores da política no Triângulo Mineiro. Envie informações e sugestões à coluna pelo WhatsApp: (34) 99791-0994.

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