Uberlândia – O encerramento das convenções partidárias, na última quarta-feira (5), redesenhou o cenário da disputa pelo Palácio Tiradentes. Mais do que homologar candidaturas, o fim dessa etapa revelou duas lições importantes: enquanto a hesitação pode custar espaço político, manter alternativas abertas pode ampliar o poder de negociação.
Os dois principais movimentos das convenções ilustram esse cenário. De um lado, a indefinição em torno da pré-candidatura do senador Cleitinho (Republicanos). De outro, a estratégia adotada pelo União Progressistas, que oficializou apoio ao governador Mateus Simões (PSD), mas deixou para um segundo momento a definição do candidato a vice-governador.
O preço do “vai ou não vai”
A política mineira sempre foi marcada por lideranças que calculam seus movimentos antes de tomarem decisões públicas. Em um estado onde a articulação política costuma pesar tanto quanto a popularidade, convicção também é vista como atributo de liderança.
Foi justamente nesse ponto que a trajetória de Cleitinho durante a pré-campanha ganhou destaque.
Mesmo liderando diferentes levantamentos de intenção de voto, sua possível candidatura ao Governo de Minas foi acompanhada por sucessivos recuos, manifestações contraditórias e divergências públicas com dirigentes do Republicanos.
O capítulo mais recente ocorreu durante a convenção estadual da legenda.
Ao contrário do que muitos esperavam, a ata não registrou candidatos ao Governo de Minas. Em vez disso, concentrou nas mãos do presidente estadual do partido, deputado Euclydes Pettersen, a responsabilidade pelas definições posteriores dentro do prazo previsto pela legislação eleitoral.
Na prática, a decisão retirou da direção nacional do Republicanos o centro da pressão política e transferiu para a executiva mineira a condução das definições.
Do ponto de vista jurídico, a medida preservou a possibilidade de novas decisões até o registro das candidaturas.
Politicamente, porém, o desgaste provocado pelo prolongado “vai ou não vai” já havia alterado o ambiente da disputa.
Nos bastidores da política mineira, um velho ditado costuma resumir situações como essa: “quem muito se benze, deixa o santo desconfiado.”
A maior reviravolta das convenções
Se o Republicanos viveu dias de indefinição, o campo governista encerrou as convenções com um dos movimentos mais relevantes do processo eleitoral.
Depois de semanas de negociações, o União Progressistas oficializou apoio à candidatura de Mateus Simões (PSD) ao Governo de Minas.
A decisão consolidou uma das alianças mais importantes da eleição e ampliou a base política do atual governador.
Mas o anúncio veio acompanhado de uma estratégia.
Embora tenha confirmado o apoio, a federação optou por deixar em aberto a indicação do candidato a vice-governador, mantendo as negociações até o prazo final para registro das chapas.
A decisão preserva margem para futuras composições e mantém uma das posições mais importantes da eleição como instrumento de articulação política.
Em um cenário de negociações intensas, deixar uma vaga estratégica em aberto também significa ampliar o poder de barganha até o encerramento do calendário eleitoral.
Como ficou a disputa pelo Governo de Minas
Com o encerramento das convenções, o cenário eleitoral reúne cinco candidaturas ao Palácio Tiradentes:
- Mateus Simões (PSD): atual governador, chega às eleições com o apoio da base construída por Romeu Zema e reforçada pela entrada do União Progressistas.
- Alexandre Kalil (PDT): ex-prefeito de Belo Horizonte, passa a ocupar posição de destaque nos cenários sem Cleitinho e aposta no histórico de sua gestão na capital.
- Flávio Roscoe (PL): empresário lançado pelo PL para representar o campo conservador e disputar o eleitorado alinhado ao ex-presidente Jair Bolsonaro.
- Patrus Ananias (PT): será o representante do presidente Luiz Inácio Lula da Silva em Minas Gerais e lidera o projeto do campo progressista.
- Gabriel Azevedo (MDB): ex-presidente da Câmara Municipal de Belo Horizonte, tenta construir uma alternativa de centro na disputa estadual.
O relógio eleitoral continua correndo
Embora as convenções tenham terminado, o calendário eleitoral ainda reserva uma etapa importante.
Os partidos têm até 15 de agosto para encaminhar à Justiça Eleitoral toda a documentação necessária para o registro das candidaturas, incluindo atas, certidões e demais documentos exigidos.
É dentro desse prazo que podem ser concluídas definições previstas nas próprias convenções, como a indicação de candidatos para vagas mantidas em aberto, respeitando os limites estabelecidos pela legislação eleitoral.
A partir de 16 de Agosto, começa oficialmente a campanha.
Será quando o debate deixará definitivamente os bastidores para ganhar as ruas, as redes sociais e o horário eleitoral.
As convenções deixaram, porém, uma mensagem que tende a acompanhar toda a disputa de 2026.
Enquanto alguns grupos utilizaram o tempo para ampliar sua capacidade de negociação, outros precisaram administrar o desgaste provocado pelas indefinições.
No fim das contas, a política mineira mostrou mais uma vez que o tempo eleitoral não perdoa. Decidir cedo pode significar abrir mão de espaço para negociar. Decidir tarde demais pode significar perder espaço no próprio tabuleiro. Esse talvez seja o principal legado das convenções que encerraram oficialmente a formação das chapas para a disputa pelo Governo de Minas.
Conteúdo faz parte da Coluna Poder, assinada por Adelino Júnior, que acompanha os bastidores da política no Triângulo Mineiro. Envie informações e sugestões à coluna pelo WhatsApp: (34) 99791-0994.

