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Regionalzão – Maior portal do interior de Minas > Notícias > Poder > Xeque-mate de Kassab pode ser a salvação de Simões em Minas
Poder

Xeque-mate de Kassab pode ser a salvação de Simões em Minas

Adelino Júnior
Por
Adelino Júnior
Publicado 24 de dezembro de 2025, 6:00
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O calendário ainda marca 2025, mas Brasília já joga 2026. E, nesse tabuleiro antecipado, um movimento começa a chamar atenção nos bastidores: Gilberto Kassab pode ter encontrado a jogada capaz de salvar o projeto político de Mateus Simões em Minas Gerais.

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A bola da vez envolve uma costura de alto nível: Kassab trabalha para viabilizar Romeu Zema como vice em uma eventual chapa presidencial liderada por Flávio Bolsonaro.

A articulação que passa por São Paulo

Segundo relatos de bastidores, a conversa avançou após um encontro em São Paulo. O desenho em debate é amplo e não se limita ao plano nacional.

O pacote incluiria também apoio à candidatura de Mateus Simões ao governo de Minas Gerais, movimento que teria como efeito colateral direto enfraquecer Cleitinho, hoje o nome mais alinhado ao bolsonarismo no estado.

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Se confirmada, a articulação reorganiza o tabuleiro mineiro e nacional ao mesmo tempo.

O limite do apoio de Flávio a Simões

Há, porém, um ponto central que redefine completamente o jogo em Minas — e que pesa diretamente contra Mateus Simões.

Caso Romeu Zema seja candidato à Presidência da República, as chances de Simões contar com o apoio de Flávio Bolsonaro são praticamente zero. A razão é simples e objetiva: Flávio precisaria, obrigatoriamente, de um palanque próprio da direita em Minas Gerais, o segundo maior colégio eleitoral do país.

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Nesse cenário, apoiar um candidato ligado ao grupo de Zema significaria dividir o eleitorado conservador e enfraquecer o próprio projeto presidencial. Politicamente, não faz sentido.

É exatamente por isso que a costura articulada por Kassab ganha peso. Ao levar Zema para uma posição nacional — como vice — ele libera Minas para Simões e, ao mesmo tempo, retira o principal obstáculo para que Flávio Bolsonaro tenha um palanque unificado no estado.

Sem essa engenharia, Simões fica fora do jogo do PL.

Kassab joga em três frentes

É aqui que a estratégia ganha contornos de jogada de mestre. Kassab não aposta em um único cenário. Ele atua simultaneamente em três frentes políticas:

  • Se aproxima de uma possível candidatura de Flávio Bolsonaro;
  • Mantém diálogo e apoio ao projeto presidencial de Eduardo Leite e Ratinho Júnior;
  • E, ao mesmo tempo, preserva sua sólida relação com o presidente Lula.

Vale lembrar: o PSD comanda atualmente três ministérios no governo federal — Agricultura, Minas e Energia e Pesca. Uma posição que garante influência, orçamento e presença institucional.

Na prática, Kassab tenta estar presente em todos os cenários viáveis de 2026, reduzindo ao máximo o risco de sair derrotado — e, consequentemente, enfraquecido.

Por que isso importa

Primeiro, porque Kassab é um dos maiores negociadores da política brasileira. Funciona como aquele meio-campista clássico: dita o ritmo do jogo, distribui passes e, muitas vezes, define o resultado sem aparecer como protagonista final.

Segundo, porque o movimento indica algo relevante: o Centrão talvez não esteja tão confiante quanto antes na desistência de Flávio Bolsonaro da disputa presidencial.

Se o jogo estivesse liquidado, não haveria tanto esforço de articulação em torno dessa hipótese.

E Flávio Bolsonaro, como fica?

Para Flávio, o acordo pode ser extremamente vantajoso. Ter Romeu Zema como vice significaria garantir um palanque forte em Minas Gerais, o segundo maior colégio eleitoral do país.

Zema chega a esse cenário com aprovação em torno de 62%, o que o transforma em um ativo eleitoral relevante.

Além disso, Flávio poderia contar com:

  • O apoio de Tarcísio de Freitas, em São Paulo;
  • E de Cláudio Castro, no Rio de Janeiro.

Uma chapa com essa configuração nacional teria capilaridade real nos três maiores colégios eleitorais do país.

Conclusão

Enquanto boa parte do eleitorado ainda está preocupada com o fim do ano, férias e metas pessoais para 2026, os principais operadores da política já jogam pensando em outubro do ano que vem.

Gilberto Kassab é um deles. E, como sempre, joga para não perder.

Gilberto Kassab fala com a imprensa em Brasília, durante entrevista cercado por jornalistas.
Gilberto Kassab, presidente nacional do PSD. Foto: Antonio Cruz / Agência Brasil

Conteúdo faz parte da Coluna Poder, assinada por Adelino Júnior, que acompanha os bastidores da política no Triângulo Mineiro.
Envie informações e sugestões à coluna pelo WhatsApp: (34) 99791-0994.

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