A publicação do edital para novos lotes de concessão da BR-365 pelo Governo de Minas, na última quarta-feira (21), desencadeou uma reação política no estado. O deputado federal Zé Vitor (PL-MG) iniciou uma ofensiva para condicionar o leilão, previsto para março de 2026, ao compromisso formal de duplicação do trecho que liga Uberlândia, Patrocínio e Patos de Minas.
A movimentação busca evitar a repetição do modelo adotado no primeiro trecho concedido da rodovia, alvo de críticas de usuários e do setor produtivo. Na ocasião, a concessão resultou em tarifas de pedágio consideradas altas, mantendo a pista simples na maior parte do trajeto e sem a previsão de obras estruturantes de grande porte a curto prazo.
De acordo com o parlamentar, a manutenção desse formato em um dos principais corredores logísticos de Minas Gerais é inviável. Como resposta, Zé Vitor acionou o Ministério Público Federal (MPF) e intensificou a interlocução direta com a Cidade Administrativa.
Articulação política
A pressão por mudanças no edital já reverbera no Executivo mineiro. O pleito conta com sinalização favorável do vice-governador, Mateus Simões, e é acompanhado por técnicos da Secretaria de Estado de Infraestrutura, Mobilidade e Parcerias (Seinfra).
Uma reunião para alinhar os termos da concessão foi agendada para o dia 10 de fevereiro, em Belo Horizonte. O encontro será coordenado pelo secretário de Governo, Marcelo Aro, e terá como pauta central a inclusão da duplicação como cláusula inegociável do contrato.
Não sou contra concessão. Reconheço que a segurança aumentou e o pavimento também. Sou contra pedágio sem obra”, afirma Zé Vitor. “A BR-365 é vital para o Triângulo Mineiro e o Alto Paranaíba. Se houver nova concessão, a duplicação precisa ser garantida desde o início.”

Eixo estratégico e segurança viária
A BR-365 é considerada uma espinha dorsal para o agronegócio mineiro, servindo como rota de escoamento de safra e transporte de insumos. Além do impacto econômico, o trecho entre Uberlândia e Patos de Minas enfrenta saturação devido ao alto fluxo de veículos pesados, o que eleva os índices de acidentes.
Especialistas em infraestrutura ouvidos pela reportagem apontam que a modelagem de concessões recentes tem buscado equilibrar a modicidade tarifária (menor valor de pedágio) com a obrigatoriedade de investimentos robustos (Capex), como duplicações, para justificar a cobrança ao usuário.
A mobilização liderada pelo deputado reúne também prefeitos, produtores rurais e associações comerciais do Triângulo e Alto Paranaíba, que temem que um contrato de longo prazo sem previsão de obras trave o desenvolvimento regional pelas próximas décadas.
