O xadrez político mineiro voltou a se movimentar com força nesta semana. Diante de um cenário ainda indefinido para as eleições de 2026, Aécio Neves (PSDB) avalia disputar novamente o governo de Minas Gerais. O ex-governador reassumiu nesta quarta-feira (19) a presidência nacional do PSDB, gesto interpretado como um movimento estratégico para recolocar o partido no jogo e reconstruir sua própria influência no Estado.
A possibilidade ganha força após os últimos acontecimentos. Rodrigo Pacheco (PSD) confirmou que não será candidato ao governo de Minas, apesar de ser um dos nomes mais cotados pelo governo federal para a disputa. Paralelamente, Matheus Simões (PSD) avançou nas negociações com o PL, praticamente sacramentando uma aliança que deve juntar setores da direita tradicional mineira — movimento que acabou isolando o senador Cleitinho (Republicanos) na direita.
Com o tabuleiro embaralhado e o campo conservador dividido, Aécio enxerga uma janela de oportunidade. O tucano, que já governou Minas por duas vezes (2003-2006 e 2007-2010), ainda conserva capital político relevante, especialmente no interior, onde mantém bases estruturadas mesmo após mais de dez anos longe das disputas majoritárias no Estado.
A retomada da presidência do PSDB reforça o protagonismo interno de Aécio e abre caminho para que o partido volte a ocupar espaço nas articulações regionais. A movimentação ocorre em um momento em que a legenda tenta reconstruir presença nacional e se reposicionar nos estados em que já foi dominante — e Minas Gerais é o principal deles.
A avaliação entre aliados é que, caso Simões consolide sua chapa com o PL e a direita permaneça fragmentada, o eleitorado mineiro pode buscar um nome tradicional, experiente e já testado nas urnas. Nesse cenário, Aécio surge como alternativa competitiva, aproveitando a ausência de consenso nos principais blocos políticos.



