O ministro Bruno Dantas formalizou nesta segunda-feira (31) sua renúncia ao cargo no Tribunal de Contas da União (TCU). A decisão, além de encerrar uma trajetória de mais de uma década na Corte, pode indicar o próximo destino político do senador mineiro Rodrigo Pacheco, ex-presidente do Senado.
Dantas encaminhou o pedido ao presidente do TCU, Vital do Rêgo, e solicitou que a vacância do cargo produza efeitos a partir de 9 de setembro. Aos 48 anos, ele poderia permanecer no Tribunal por quase mais três décadas, até atingir a idade da aposentadoria compulsória.
A saída ganha importância política porque a cadeira ocupada por Bruno Dantas pertence à cota de indicações do Senado Federal. Com a abertura da vaga, Pacheco aparece como principal nome para assumir o posto.
Segundo informações divulgadas pelo blog do jornalista Valdo Cruz, no g1, e por outros veículos nacionais, o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), articula a indicação do mineiro para o TCU. A movimentação pode ocorrer ainda durante o esforço concentrado do Congresso Nacional.
Pacheco pode trocar Senado pelo TCU
A eventual indicação ajuda a desenhar o futuro de Rodrigo Pacheco depois de sua decisão de não disputar as eleições de 2026.
O senador mineiro chegou a ser cotado para disputar o governo de Minas Gerais e também teve o nome defendido por Alcolumbre para uma cadeira no Supremo Tribunal Federal (STF). Nenhuma das duas possibilidades avançou.
No caso do STF, Alcolumbre defendia Pacheco para a vaga aberta pela aposentadoria de Luís Roberto Barroso. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva, no entanto, optou pelo então advogado-geral da União, Jorge Messias. A indicação acabou rejeitada pelo Senado.
Agora, o TCU surge como uma alternativa concreta para a continuidade de Pacheco na vida pública.
A articulação conta com o apoio de Alcolumbre. Segundo a Folha de S.Paulo, o nome de Pacheco deve ser submetido ao Congresso nas próximas semanas. Outras fontes apontam que o Senado pode tentar acelerar o processo aproveitando a presença dos parlamentares em Brasília durante o esforço concentrado.
Vaga é do Senado
Bruno Dantas chegou ao TCU em 2014 justamente por indicação do Senado. Antes de integrar o Tribunal, atuou como consultor legislativo da Casa e passou pelo Conselho Nacional de Justiça (CNJ) e pelo Conselho Nacional do Ministério Público (CNMP).
Ele também presidiu o TCU no biênio 2023-2024.
Ao anunciar a renúncia, Dantas afirmou que a decisão foi pessoal, voluntária e amadurecida nos últimos meses. O ministro informou que pretende se dedicar a novos projetos profissionais, incluindo atividades na iniciativa privada, na área acadêmica e no debate público.
Com a formalização da saída, o Senado poderá iniciar o processo para preencher a cadeira. Se a articulação se confirmar, Rodrigo Pacheco poderá encerrar seu mandato parlamentar para iniciar uma nova etapa no Tribunal de Contas da União.

