A senadora Damares Alves (Republicanos-DF) liderou, nesta terça-feira (18/11), uma visita ao Complexo Penitenciário da Papuda, em Brasília, e voltou a afirmar que o ex-presidente Jair Bolsonaro corre risco caso seja obrigado a cumprir pena no local. Em declaração que viralizou nas redes, ela disse que, “se Bolsonaro comer dessa comida, morre”, em referência às refeições servidas aos detentos e ao quadro de saúde delicado do ex-mandatário.
A inspeção foi feita por um grupo de senadores da Comissão de Direitos Humanos do Senado, que foi até a Papuda avaliar as condições do presídio diante da possibilidade de Bolsonaro deixar a prisão domiciliar e ser transferido para o regime fechado. O ex-presidente foi condenado pelo Supremo Tribunal Federal (STF) a 27 anos e 3 meses de prisão por crimes ligados à tentativa de golpe de Estado e à abolição violenta do Estado Democrático de Direito.
No relatório produzido após a visita, os parlamentares apontam problemas como superlotação, falhas no atendimento médico e denúncias de comida estragada servida aos internos. Segundo o documento, essas condições representam um “risco de morte real” para Bolsonaro, que tem histórico de cirurgias intestinais e complicações decorrentes da facada sofrida em 2018.
Damares tem repetido em entrevistas e pronunciamentos públicos que o ex-presidente precisa de dieta específica e atendimento rápido em caso de emergência. A senadora afirma que, se um episódio de refluxo atingir os pulmões, por exemplo, Bolsonaro teria poucos minutos para ser atendido em um hospital, sob risco de morte. Para ela, a estrutura da Papuda não daria conta desse tipo de situação, sobretudo pela ausência de médicos em tempo integral na unidade.
Ainda conforme o relatório, o posto de saúde do complexo funciona apenas em horário comercial, de segunda a sexta-feira, e a triagem inicial de presos com sintomas ou queixas de saúde fica a cargo de policiais penais, que decidem se acionam o Samu ou se pedem escolta para levar o detento a uma unidade hospitalar externa. O grupo de senadores cita esse cenário como incompatível com as necessidades clínicas de Bolsonaro.
Os parlamentares também resgataram o caso de Clériston Pereira da Cunha, conhecido como “Clezão”, preso pelos atos de 8 de janeiro e que morreu na Papuda em 2023. Para a comissão, o episódio demonstra que o sistema prisional do Distrito Federal segue sem condições adequadas para atender presos com cuidados especiais de saúde, reforçando a tese de que uma eventual transferência de Bolsonaro representaria nova exposição ao risco.
No documento, Damares e os demais senadores recomendam que o ministro Alexandre de Moraes, relator dos processos do ex-presidente no STF, mantenha Bolsonaro em prisão domiciliar, alegando motivos “humanitários e de segurança”. O grupo sustenta que, além da saúde, também deve ser considerada a convivência com detentos condenados por crimes que foram alvo de endurecimento durante o governo Bolsonaro, o que, na avaliação deles, poderia ampliar a tensão dentro do presídio.
A fala da senadora — “se Bolsonaro comer dessa comida, morre” — passou a simbolizar a estratégia de aliados do ex-presidente de pressionar o Supremo e a opinião pública para barrar a ida de Bolsonaro à Papuda, mantendo o atual regime domiciliar sob o argumento de que o Estado brasileiro não teria condições mínimas de garantir sua integridade física na prisão.



