O enfrentamento ao câncer no Brasil vive um momento de transição institucional com a consolidação da primeira Política Nacional de Prevenção e Controle do Câncer. O deputado federal Weliton Prado, de Uberlândia, entusiasta da medida e fundador da primeira comissão parlamentar dedicada exclusivamente ao tema, defende que a nova legislação garante, pela primeira vez, o chamado “ciclo completo” de atendimento ao paciente.
Em um cenário onde mais de 70% dos brasileiros dependem exclusivamente do Sistema Único de Saúde (SUS) para o tratamento oncológico, a nova política busca atacar o gargalo do tempo. Para Prado, a agilidade entre a descoberta do tumor e o início do tratamento é o divisor de águas entre a vida e a morte.
“O câncer tem cura e isso depende, principalmente, do tempo. Quem procura, acha; quem acha, encontra; quem encontra, trata e cura”, afirma o parlamentar.

O conceito de ‘Ciclo Completo’
A proposta de iniciativa do deputado estabelece diretrizes que impedem que o paciente fique desamparado após o diagnóstico inicial. O ciclo completo abrange:
- Prevenção e Diagnóstico Precoce: Foco em exames de rastreio para identificar a doença em estágios iniciais.
- Tratamento Multidisciplinar: Acesso a quimioterapia, radioterapia e cirurgias.
- Suporte Integral: Inclusão de nutrição especializada e acompanhamento psicológico para o paciente e familiares.
- Reabilitação: Assistência física, auditiva e visual pós-tratamento.
- Navegação de Pacientes: Um sistema de monitoramento para que o cidadão não se perca na burocracia do sistema de saúde.
A navegação é fundamental para que o paciente não seja jogado de um lado para o outro. Ele precisa de um caminho claro dentro do SUS”, destaca Prado.
Desafio epidemiológico e recursos
A urgência da implementação do plano é reforçada por dados demográficos e de saúde pública. Em diversas cidades de Minas Gerais e do país, o câncer já ultrapassou as doenças cardiovasculares, tornando-se a principal causa de morte.
O deputado ressalta que a eficácia da lei depende agora da destinação de recursos orçamentários e da infraestrutura logística nos estados. O objetivo central é descentralizar o atendimento, permitindo que o tratamento seja iniciado o mais próximo possível da residência do paciente, evitando deslocamentos exaustivos que comprometem a adesão à terapia.
