A Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) aprovou nesta terça-feira (26) um novo aumento nas tarifas de energia da Cemig. No entanto, a decisão gerou forte descontentamento no cenário político de Minas Gerais. O deputado federal Weliton Prado criticou duramente a medida e a classificou como abusiva para os consumidores mineiros.
De acordo com o parlamentar, o reajuste ultrapassa o bom senso e afeta diretamente a economia das famílias. Por essa razão, ele e o deputado estadual Elsmar Prado preparam uma denúncia formal que será encaminhada ao Ministério Público. A nova tabela tarifária entra em vigor a partir do dia 28 de maio.
Impacto financeiro e qualidade do serviço
O reajuste médio homologado pela agência reguladora é de 6,5% para o bolso do consumidor. Enquanto as contas residenciais sobem 5,21%, o setor produtivo e a indústria enfrentarão uma alta expressiva de 9,43%. Consequentemente, esse impacto nas indústrias deve refletir no preço final de produtos e serviços em municípios polo do Triângulo e Alto Paranaíba.
Além disso, o deputado ressaltou que o aumento anual é superior ao índice oficial da inflação (IPCA), acumulado em 4,26% no período. Ele aponta que a qualidade do serviço prestado pela concessionária não condiz com as tarifas cobradas.
“O aumento foi um prêmio ilegal a Cemig, que está classificada entre as piores do Brasil na qualidade dos serviços, atrás até mesmo da Enel de São Paulo, que está em processo de cassação da concessão”, protestou Weliton Prado. De fato, a estatal mineira ocupa a 31ª posição em qualidade entre as 33 grandes distribuidoras do país no ranking da própria Aneel.
Lucros bilionários e repasses aos acionistas
Outro ponto que alimenta as críticas diz respeito à alta lucratividade da companhia em contraste com a falta de investimentos na melhoria da rede de energia. A Cemig vem acumulando ganhos bilionários consecutivos. Nos primeiros três meses de 2026, por exemplo, a empresa já beirou a marca de R$ 1 bilhão em lucro líquido. Nos anos anteriores, o saldo também foi massivo: R$ 4,9 bilhões em 2025, R$ 7,1 bilhões em 2024 e R$ 5,8 bilhões em 2023.
Apesar deste cenário financeiro favorável, o parlamentar denuncia que a empresa prioriza a remuneração de seus acionistas em detrimento da modicidade tarifária. Atualmente, a distribuição de dividendos ultrapassa a marca de 70%, beneficiando inclusive investidores estrangeiros. Além disso, a distribuidora tem se recusado a compartilhar o histórico de dados necessários para a revisão das receitas nas últimas audiências públicas.
Por fim, graças à sustentação oral realizada pelo deputado e pelo Conselho de Consumidores, o processo de homologação voltará a ser debatido no plenário da Aneel. O caso será incluído na pauta de uma Reunião Pública para nova análise e ratificação dos termos.

