O senador Flávio Bolsonaro pediu desculpas após negar publicamente que conhecia o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master. O recuo aconteceu depois do vazamento de áudios e mensagens que mostram o parlamentar tratando diretamente com o empresário sobre o financiamento de um filme ligado ao ex-presidente Jair Bolsonaro.
As gravações, divulgadas inicialmente pelo The Intercept Brasil, mostram Flávio cobrando um repasse de R$ 134 milhões para custear a produção de uma cinebiografia de Bolsonaro, projeto que teria participação do ator Jim Caviezel, conhecido pelo filme “A Paixão de Cristo”.
Antes da divulgação do material, Flávio havia negado qualquer relação com Vorcaro. Após a repercussão, o senador admitiu o contato e afirmou que mentiu para evitar desgaste político e novas investigações.
Em entrevista à CNN Brasil, Flávio Bolsonaro afirmou que já esperava a repercussão negativa do caso e tentou justificar a postura adotada inicialmente.
“Se alguém não entende a razão da minha obrigação de me comportar daquele jeito, eu peço desculpas. Eu sabia que isso ia acontecer, essa perseguição, sabia que iam jogar sujo”, declarou o senador.
Segundo os áudios divulgados, Flávio demonstrava preocupação com pagamentos pendentes da produção cinematográfica e pressionava Vorcaro para liberar os recursos rapidamente. Em uma das mensagens, o senador afirma que seria “muito ruim” deixar de cumprir compromissos assumidos com integrantes estrangeiros do projeto.
O episódio gerou desgaste político dentro do campo bolsonarista e ampliou críticas sobre a proximidade da família Bolsonaro com empresários investigados. Adversários também passaram a explorar a contradição entre o discurso anticorrupção adotado pelo grupo político e a relação mantida com Vorcaro.
O caso ocorre em meio à movimentação política para as eleições de 2026 e elevou a pressão sobre aliados do ex-presidente Jair Bolsonaro.

