Flávio Dino autoriza PF a acessar investigação sobre filme de Bolsonaro

Ministro do STF liberou acesso a dados de investigação da Polícia Civil de São Paulo sobre a produtora de “Dark Horse”; filme também recebeu R$ 61 milhões de Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master

Eloi Naves
Cartaz de divulgação do filme Dark Horse
PF investiga se emendas parlamentares custearam o filme Dark Horse.Foto: Divulgação

O ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), autorizou a Polícia Federal (PF) a acessar dados de uma investigação da Polícia Civil de São Paulo envolvendo a produtora responsável por “Dark Horse”, cinebiografia do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). A decisão atende a um pedido da própria PF. 

Segundo o UOL, a investigação conduzida pela Polícia Federal apura a possibilidade de uso de emendas parlamentares para financiar a produção do filme. Dino é relator no STF de ações que tratam de possíveis irregularidades na destinação de recursos indicados por deputados e senadores. 

A investigação da Polícia Civil de São Paulo, cujos dados poderão agora ser acessados pela PF, envolve Karina Ferreira da Gama, produtora de “Dark Horse”. Ela foi alvo de uma operação relacionada à apuração de suspeitas envolvendo recursos públicos destinados ao Instituto Conhecer Brasil (ICB), entidade ligada à produtora. 

Com a autorização de Dino, a Polícia Federal poderá analisar o material reunido pelos investigadores paulistas e verificar se existem elementos que possam contribuir para a apuração sobre a origem e o destino dos recursos relacionados à produção cinematográfica.

R$ 61 milhões de Daniel Vorcaro

Além da investigação envolvendo possíveis recursos de emendas parlamentares, “Dark Horse” também está no centro de outra apuração relacionada ao financiamento do longa pelo ex-controlador do Banco Master, Daniel Vorcaro.

Vorcaro chegou a repassar R$ 61 milhões para a produção do filme sobre Jair Bolsonaro, segundo informações reveladas pelo The Intercept Brasil e posteriormente confirmadas pela Folha de S.Paulo com pessoas ligadas à investigação. 

O ex-banqueiro foi preso pela Polícia Federal em novembro de 2025, acusado de liderar um esquema de fraude estimado em R$ 12 bilhões envolvendo carteiras falsas de crédito. Em março deste ano, Vorcaro voltou a ser preso, desta vez sob suspeitas que incluem corrupção e lavagem de dinheiro. 

Áudio de Flávio Bolsonaro

A relação entre o financiamento do filme e a família Bolsonaro ganhou ainda mais repercussão após a divulgação de mensagens e de um áudio enviado pelo senador Flávio Bolsonaro (PL), atual candidato à Presidência da República, a Daniel Vorcaro.

No áudio, de setembro de 2025, Flávio cobra do então banqueiro a liberação de recursos que estavam pendentes para a produção de “Dark Horse”. As negociações envolviam US$ 24 milhões, aproximadamente R$ 134 milhões na cotação da época, para financiar o projeto. 

Do montante negociado, R$ 61 milhões efetivamente foram repassados por Vorcaro. Mensagens reveladas posteriormente também apontaram a participação de Eduardo Bolsonaro em orientações relacionadas ao envio de recursos para os Estados Unidos. 

O caso passou a ter impacto direto na campanha presidencial de 2026. Flávio Bolsonaro tem buscado minimizar as acusações e afirmou recentemente que o episódio envolvendo “Dark Horse” seria uma “página virada”. O candidato também sustenta que não houve irregularidade e que a prestação de contas relacionada ao filme estaria correta. 

A apuração sobre os R$ 61 milhões repassados por Vorcaro tramita separadamente e está sob relatoria do ministro André Mendonça, do STF. Já Dino conduz a frente relacionada à suspeita de utilização de emendas parlamentares e, agora, autorizou a PF a acessar o material produzido pela Polícia Civil paulista. 

A autorização de Dino não representa uma conclusão sobre eventual irregularidade. A medida permite o compartilhamento de elementos entre as investigações para que a Polícia Federal aprofunde a apuração sobre a produtora e os recursos ligados ao projeto cinematográfico.

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