Governo de Minas quer transformar o ‘mineirês’ em patrimônio cultural do estado

Durante a abertura de congresso em Belo Horizonte, o governador Mateus Simões anunciou processo oficial para tornar o dialeto mineiro um bem cultural imaterial do estado

Sirley de Araújo
A imagem captura um momento solene. Um homem com barba por fazer e vestindo um terno escuro, está posicionado atrás de um púlpito de madeira.
Foto: Divulgação - Gil Leonardi / Imprensa MG

O Governo de Minas Gerais deu o primeiro passo oficial para transformar o “mineirês” em patrimônio cultural imaterial do estado. Durante a abertura do 41º Congresso Mineiro de Municípios, realizada no Expominas, o governador Mateus Simões anunciou o envio de um despacho ao Instituto Estadual do Patrimônio Histórico e Artístico de Minas Gerais (Iepha-MG). Portanto, o objetivo é iniciar as pesquisas que fundamentarão a proteção desse dialeto tão característico.

A partir desta iniciativa, o Iepha-MG realizará uma análise técnica profunda. O processo inclui escutas, registros e a elaboração de um dossiê detalhado. Posteriormente, o órgão responsável encaminha o documento ao Conselho Estadual do Patrimônio Cultural (Conep). É este órgão o responsável por deliberar e votar o reconhecimento final da forma de falar dos mineiros.

Valorização da identidade e história

Para o governador, a medida é uma forma de respeitar a trajetória do povo mineiro. “Minas Gerais tem uma cultura reconhecida em todo o Brasil e no mundo. O nosso jeito de falar é parte desta identidade. Valorizar o mineirês é valorizar a história, as tradições e a criatividade do povo mineiro. Devemos respeitar a nossa forma de falar”, analisou Mateus Simões.

Além disso, o estudo deve considerar a enorme pluralidade do estado. O jeito de falar no Norte de Minas possui nuances diferentes do Sul ou da Zona da Mata. Da mesma forma, o Triângulo Mineiro possui expressões e ritmos próprios que compõem esse mosaico linguístico.

Combate ao preconceito linguístico

O secretário de Estado de Cultura e Turismo, Leônidas Oliveira, reforçou que o mineirês vai muito além das palavras. Segundo ele, trata-se de uma “ética da conversa” que envolve pausas, hospitalidade e inteligência. “O mineirês não é apenas pronúncia. É uma ética da conversa. É a inteligência da pausa, a delicadeza da indireção, a hospitalidade do ‘cafézim’, o mundo inteiro dentro da palavra ‘trem'”, destacou o secretário.

Com isso, o Governo busca também combater o preconceito linguístico. O estudo vai analisar a presença do dialeto nas artes, nas redes sociais e no cotidiano das famílias. Portanto, o reconhecimento como patrimônio imaterial salvaguarda práticas e saberes que as gerações transmitem entre si. A medida garante que o modo único de o mineiro se expressar mantenha o sentimento de orgulho e respeito.

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