A Polícia Federal deflagrou, na sexta-feira (19), a operação Galho Fraco, com o objetivo de aprofundar investigações sobre um suposto esquema de desvio de recursos públicos oriundos de cotas parlamentares.

Entre os alvos estão os deputados federais Sóstenes Cavalcante (PL-RJ), ex-morador de Ituiutaba, e Carlos Jordy (PL-RJ). Ambos são investigados por suspeita de direcionamento de verbas públicas para empresas de fachada, incluindo uma locadora de veículos.
Sóstenes Cavalcante mantém ligação direta com Ituiutaba, no Triângulo Mineiro. Segundo declarações feitas pelo próprio parlamentar em ocasiões públicas, ele residiu na cidade por cerca de dez anos, período em que também atuou como pastor da Igreja Assembleia de Deus. Recentemente, o deputado esteve novamente em Ituiutaba para participar de um evento de inauguração de uma emissora de rádio.
Além disso, em 2022, Sóstenes Cavalcante recebeu o título de cidadão honorário de Ituiutaba, concedido pela Câmara Municipal. O deputado também teve participação ativa no cenário político local, tendo apoiado diretamente ex-candidatos à Prefeitura de Ituiutaba nas eleições de 2020 e 2024, reforçando sua ligação política e institucional com o município ao longo dos últimos anos.
As apurações indicam que os parlamentares passaram a ser investigados após a análise de materiais recolhidos em uma operação realizada em 2024, que teve como foco assessores ligados aos mandatos. A partir desse material, a Polícia Federal reuniu mensagens, depoimentos e dados obtidos por meio de quebras de sigilo, que apontaram indícios de irregularidades.
De acordo com a investigação, agentes políticos, servidores comissionados e particulares teriam atuado de forma coordenada para o desvio dos recursos e posterior ocultação do dinheiro público.
A operação Galho Fraco é um desdobramento da operação Rent a Car, deflagrada em dezembro do ano passado, e apura os crimes de peculato, lavagem de dinheiro e organização criminosa. Ao todo, estão sendo cumpridos sete mandados de busca e apreensão, expedidos pelo ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), no Distrito Federal e no Rio de Janeiro.
O deputado Carlos Jordy confirmou, por meio de publicação nas redes sociais, que é alvo dos mandados cumpridos pela Polícia Federal. Ele afirmou ser vítima de perseguição e negou qualquer irregularidade relacionada às empresas citadas na investigação. Segundo o parlamentar, os mandados também foram cumpridos em endereços ligados a familiares.
