UBERLÂNDIA — Em meio à escalada de ataques entre Israel e Irã, a presença do vice-prefeito de Uberlândia, Vanderlei Pelizer (PL), em território israelense gerou dúvidas entre moradores da cidade e nas redes sociais. Afinal, o que motivou sua viagem e por que ele optou por permanecer mesmo diante dos bombardeios iranianos?
Viagem oficial para conhecer tecnologia urbana
Pelizer viajou a Israel como parte de uma comitiva brasileira formada por cerca de 41 autoridades — entre prefeitos, vice-prefeitos e secretários municipais — a convite da embaixada israelense. O objetivo declarado da missão foi conhecer soluções tecnológicas em segurança pública, inovação urbana e gestão inteligente de cidades.
Durante a viagem, os participantes visitaram centros de comando, empresas de tecnologia e projetos de vigilância urbana aplicados em cidades israelenses, conhecidos por sua eficiência em ambientes de alto risco.
Conflito e alerta do Itamaraty
A viagem ocorreu mesmo com alertas emitidos pelo Itamaraty desde 2023, recomendando que brasileiros evitem deslocamentos não essenciais a Israel, especialmente após o agravamento dos conflitos com o grupo Hamas.
A tensão aumentou com o ataque do Irã a Israel no último fim de semana, levando ao fechamento do espaço aéreo e gerando uma corrida por rotas de evacuação seguras para estrangeiros.
Parte da comitiva saiu; Pelizer permaneceu
Diante da situação, 12 autoridades brasileiras decidiram deixar Israel por via terrestre, cruzando a fronteira com a Jordânia. Vanderlei Pelizer, porém, optou por permanecer. Em vídeos enviados à imprensa, ele explicou que, segundo avaliação das autoridades locais, a viagem até a Jordânia não era segura por não haver abrigos no trajeto em caso de ataque aéreo.
“Se formos para a viagem e começar um ataque, não teríamos onde nos esconder”, afirmou o vice-prefeito em entrevista ao Jornal da Manhã.
A Prefeitura de Uberlândia confirmou que Pelizer está bem, abrigado e em contato com familiares.
Política e repercussão
A presença de Pelizer em Israel ocorre em um momento delicado das relações diplomáticas brasileiras com o país do Oriente Médio. O governo do presidente Lula tem adotado postura crítica a Israel em função do conflito com a Palestina, o que tem gerado reações da oposição.
Pelizer, filiado ao Partido Liberal (PL), integra a base de apoio ao ex-presidente Jair Bolsonaro, conhecido por sua aproximação com o governo israelense. A viagem, nesse sentido, também possui um simbolismo político.
Quando ele retorna?
Ainda não há previsão de retorno. A embaixada brasileira em Tel Aviv acompanha a situação e articula, junto ao Itamaraty, uma rota de saída segura para os brasileiros que continuam no país. Pelizer, segundo nota da prefeitura, seguirá todas as orientações diplomáticas.
