Partido mais influente de Uberlândia, PP ficará neutro na eleição presidencial

Decisão articulada pelo presidente nacional da sigla, Ciro Nogueira, frustra tentativa do PL de formar aliança e pode dar mais autonomia às lideranças estaduais e municipais.

Eloi Naves
Odelmo e Ana Paula Leão com o presidente do PP, senador Ciro Nogueira
O casal Odelmo e Ana Paula Leão com o senador Ciro Nogueira, presidente nacional do PP.Foto: Redes Sociais

O Progressistas (PP), partido que exerce forte influência política em Uberlândia, deverá adotar uma posição de neutralidade na disputa pela Presidência da República em 2026. A definição foi comunicada pelo presidente nacional da legenda, senador Ciro Nogueira (PI), ao senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), encerrando as negociações para um apoio formal à candidatura do PL. 

Segundo dirigentes do partido, cerca de 90% dos diretórios estaduais consultados defenderam que o PP não declare apoio institucional a nenhum candidato ao Palácio do Planalto. A estratégia permitirá que lideranças estaduais e municipais tenham maior liberdade para construir alianças de acordo com a realidade política de cada região. 

A decisão também repercute na federação União Progressista, formada por PP e União Brasil, que caminha para manter a mesma posição de neutralidade na eleição presidencial. A avaliação da cúpula é que uma aliança nacional poderia dificultar acordos estaduais e comprometer a estratégia de fortalecer a bancada da federação no Congresso Nacional. 

Reflexos em Uberlândia

Em Uberlândia, a decisão ganha peso porque o PP é, historicamente, um dos partidos mais influentes da política local. A legenda comandou a Prefeitura durante quatro mandatos com o ex-prefeito Odelmo Leão, uma das principais lideranças políticas da cidade nas últimas décadas.

Atualmente, o Progressistas também reúne nomes centrais da política uberlandense, como a deputada federal Ana Paula Leão, esposa de Odelmo Leão, e o prefeito Paulo Sérgio, eleito em 2024. No Legislativo municipal, a sigla também mantém forte representação, tendo entre suas principais lideranças o vereador Abatenio Marquez.

Na prática, a neutralidade nacional tende a dar maior autonomia às lideranças uberlandenses. Sem um palanque presidencial oficial definido pelo partido, prefeitos, parlamentares e filiados poderão apoiar diferentes candidatos à Presidência, conforme as alianças construídas em Minas Gerais e os interesses políticos regionais.

Flávio Bolsonaro perde aliado estratégico

O apoio do PP era considerado estratégico para a campanha de Flávio Bolsonaro, principalmente pelo tamanho da federação formada com o União Brasil. Com a neutralidade, o PL perde a possibilidade de contar oficialmente com uma das maiores estruturas partidárias do país na disputa presidencial. 

Nos bastidores, dirigentes do PP apontam que o desgaste na relação entre Ciro Nogueira e Flávio Bolsonaro, além da prioridade em preservar a unidade da federação e fortalecer as campanhas proporcionais, pesaram para a decisão de não formalizar uma aliança nacional. 

Presidente do PP está na mira da Polícia Federal

A decisão do Progressistas ocorre em um momento delicado para seu presidente nacional. Ciro Nogueira é investigado pela Polícia Federal no âmbito da Operação Compliance Zero, que apura um esquema de fraudes envolvendo o Banco Master. Segundo a PF, há indícios de que o senador recebeu pagamentos mensais, que variavam entre R$ 300 mil e R$ 500 mil, do banqueiro Daniel Vorcaro, além de outras vantagens, como viagens e uso de imóveis de luxo. A defesa do parlamentar nega irregularidades e afirma que ele não praticou qualquer ato ilícito. 

As investigações apontam ainda que os repasses identificados pela Polícia Federal somariam pelo menos R$ 6 milhões entre 2024 e 2025. Daniel Vorcaro está preso preventivamente por determinação do Supremo Tribunal Federal, enquanto o inquérito segue em andamento e ainda não há condenação dos investigados. 

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