Prefeitos pedem que ALMG apoie ações para que governo libere recursos para a saúde

133.215 unidades de fármacos do Kit Intubação foram entregues hoje ao Governo de Minas e serão repassados aos municípios

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O prefeito de Teófilo Otoni, Daniel Sucupira (PT), um dos líderes do Movimento 100+, pediu que a Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG) ajude as prefeituras mineiras no diálogo com o governo de Romeu Zema (Novo).

Conforme reportagem de O Tempo, ele se reuniu na última sexta-feira (16) com deputados estaduais, com o procurador geral do Ministério Público de Minas Gerais, Jarbas Soares, e também tem reunião marcada com o prefeito de Belo Horizonte, Alexandre Kalil (PSD).

O Movimento 100+ reúne as prefeituras com sede macro em saúde e com mais de 100 mil habitantes em Minas Gerais, como Belo Horizonte, Contagem, Juiz de Fora, Ubá, Ipatinga e Passos, entre outras cidades. Os municípios que fazem parte do movimento representam cerca de 45% da população do Estado.

A principal reivindicação é que o governo Zema pague pelo menos metade da dívida com os municípios na área da saúde. O débito total chegaria a mais de R$ 3 bilhões.

Os prefeitos do movimento também cobram do Estado ações mais efetivas para garantir o kit intubação e outros insumos hospitalares. Há ainda queixas em relação à falta de diálogo do governo estadual com as prefeituras, ponto em que Sucupira pediu intermediação dos parlamentares.

“A melhor forma que a Assembleia pode nos ajudar é buscando o diálogo com o governo estadual. A proposta do Movimento 100+ é suprapartidária, é buscar o diálogo, a conversa. A realidade de Minas Gerais hoje é que não percebemos e não temos canais de conversa, de um diálogo claro na condução da pandemia”, disse o prefeito de Teófilo Otoni.

Ele também destacou que quem aprova o orçamento do Executivo é o Legislativo estadual, ou seja, indicou que os deputados podem remanejar recursos do Executivo para que a dívida seja quitada.

Questionado sobre se a verba poderia vir do acordo com a Vale, Daniel Sucupira acenou positivamente, mas disse que as opções ainda estão sendo discutidas.

“Essa dívida não é do governador Romeu Zema, não é do governador Fernando Pimentel, não é do ex-governador Anastasia, essa dívida é do Estado de Minas Gerais. E o Estado deve assumir essa responsabilidade de cobrir essa medida e fazer o pagamento para que os municípios tenham condição de nesse momento tão difícil continuar trabalhando em prol do povo nesta pandemia que assolou a vida de todos nós”, acrescentou.

Ele relatou que a verba enviada pelo governo federal no início da pandemia acabou e que as prefeituras estão tendo que usar recursos próprios no custeio das ações de enfrentamento à pandemia, mas que o dinheiro também está perto do fim.

Daniel Sucupira também afirmou que há um desabastecimento de insumos hospitalares nas cidades que integram o Movimento 100+, que por serem referências em suas regiões, acabam recebendo pacientes de outras cidades.

“É necessário que o repasse desses insumos seja feito de forma urgente. Já tem pessoas morrendo em Minas Gerais por não terem os insumos, já tem pacientes entubados que estão acordando com uma situação de saúde realmente preocupante”, declarou.

Outro ponto cobrado pelo movimento é o recebimento de mais vacinas, que têm chegado à conta-gotas nos municípios mineiros, na avaliação do prefeito de Teófilo Otoni.

Sucupira criticou a decisão de Zema de enviar mais vacinas para as cidades que estiverem vacinando mais rápido seus cidadãos.

“Nós não estamos aqui pra fazer leilão na cidade que vacina mais ou que vacina menos ou receber quantidade de vacina por conta disso. O que nós precisamos é que as vacinas cheguem em quantidade e com a celeridade que nós precisamos para imunizar o povo mineiro”, declarou.

Kit Intubação

A Secretaria de Estado de Saúde de Minas Gerais (SES-MG) recebeu na tarde de hoje, mais um quantitativo de medicamentos do kit intubação para atender, de forma emergencial, 25 hospitais que se encontram em níveis considerados críticos. A medida contempla instituições com estoques suficientes para três dias ou menos de cobertura.

As 133.215 unidades de fármacos são compostas por midazolam, propofol e besilato de cisatracúrio, itens essenciais à sedação dos pacientes. Parte dos medicamentos foi enviada pelo Ministério da Saúde (108.215 unidades) e também houve a aquisição, pelo Estado, de 25 mil unidades de midazolam.

A relação das unidades hospitalares que receberão os medicamentos ainda será divulgada e as informações atualizadas.

Estoque

A SES-MG ressalta que o estoque de sedativos utilizados na intubação do paciente de covid encontra-se em nível não recomendável para o enfrentamento da pandemia, mesmo com a chegada destes insumos. As unidades hospitalares, que antes trabalhavam com estoque de 60 dias ou mais, enfrentam dificuldades no abastecimento.

Para fazer frente a este cenário, Minas Gerais conta com a rede solidária da Saúde Pública, que permite o remanejamento de insumos entre as instituições que observam aumento no consumo destes medicamentos. O objetivo é atender os hospitais mais necessitados e com estoque mais baixos, a partir de unidades que detenham estoques mais estáveis, garantindo, de modo emergencial, a adequada assistência aos pacientes.

Confira a relação de medicamentos

Midazolam – 70.650

Propofol – 19.865

Besilato de cisatracúrio – 17.700

Midazolam – 25.000 (compra pelo Estado)

Total: 133.215

Prefeitos do interior foram pessoalmente a Belo Horizonte

Uma comitiva com 13 prefeitos do Movimento 100+ foi à Belo Horizonte para articular apoio à iniciativa pessoalmente. A lista completa de quem esteve na capital não foi divulgada. Na reunião com o Ministério Público de Minas Gerais (MPMG), apenas 10 mandatários municipais puderam participar em razão das medidas sanitárias adotadas pela instituição.

Uma das prefeitas que estiveram na Assembleia Legislativa de Minas Gerais foi a de Juiz de Fora, Margarida Salomão (PT). Em reunião com o presidente do Legislativo estadual, o deputado Agostinho Patrus (PV), ela reforçou as demandas das cidades que são polos regionais, que acabam concentrando as demandas de atendimento de saúde de suas regiões.

“Por essa razão nós queremos que o governo do estado de Minas nos trate como merecemos, com transferência de recursos para a saúde, com uma definição clara de cronograma de passagem de vacinas para os municípios. Nós não podemos continuar na insegurança de quando as vacinas vão chegar, quantas vão chegar. Não há esquema de logística que resista à uma imprecisão dessas”, declarou.

Ela também clamou por uma ação conjunta do governo estadual com os municípios para atender os problemas sociais enfrentados nas cidades, mencionando ações de doações de cestas básicas para as populações mais vulneráveis. “Nossa prioridade é defender as vidas e, para isso, é preciso uma ação concertada das prefeituras com o governo de Minas Gerais”, disse Margarida Salomão.

Fonte: O Tempo e Agência Minas