Líder nas pesquisas, Cleitinho ainda avalia candidatura; veja quatros fatores que pesam na decisão

Senador do Republicanos segue como favorito para o Governo de Minas, mas ainda não confirmou se disputará o Palácio Tiradentes; cenário político, fiscal e pessoal influenciam a decisão

Eloi Naves
Senador Cleitinho no palanque em Brasília-DF
Recentemente, Cleitinho perdeu seu irmão, Matheus Azevedo, vítima de leucemiaFoto: Ton Molina / Agência Senado

O senador Cleitinho Azevedo (Republicanos) continua liderando praticamente todas as pesquisas de intenção de voto para o Governo de Minas Gerais em 2026. Apesar do favoritismo, o parlamentar ainda não confirmou oficialmente se disputará o Palácio Tiradentes e tem mantido suspense sobre a decisão, que deve ser anunciada apenas próximo ao período das convenções partidárias.

Embora dirigentes partidários defendam sua candidatura, o próprio senador tem afirmado que ainda avalia o cenário antes de bater o martelo. Em diferentes declarações públicas, Cleitinho negou que tenha desistido da disputa, mas também evitou antecipar uma decisão definitiva.

Entre os principais fatores que podem influenciar sua permanência no Senado estão quatro pontos.

1. Um mandato de senador pela metade

O primeiro deles é a própria posição ocupada por Cleitinho. Ele foi eleito senador em 2022 para um mandato de oito anos e ainda tem aproximadamente quatro anos pela frente. O Senado é considerado um dos cargos de maior estabilidade e influência política do país, permitindo atuação nacional e protagonismo em pautas de interesse dos estados.

Deixar esse mandato pela metade para assumir o comando de Minas representa uma decisão de grande peso político, especialmente porque, caso permaneça no Senado, Cleitinho continuará exercendo um dos cargos mais relevantes da República até 2031.

2. A difícil situação financeira de Minas Gerais

Outro fator é o desafio fiscal que será herdado pelo próximo governador. Minas Gerais continua entre os estados mais endividados do país, com uma dívida próxima de R$ 190 bilhões. Projeções apontam que esse passivo pode chegar a cerca de R$ 210 bilhões até 2028.

Na prática, o elevado endividamento reduz a capacidade do Estado de realizar investimentos em infraestrutura, mobilidade, saúde, educação e desenvolvimento econômico. Diversos especialistas avaliam que o principal desafio do próximo governador será equilibrar as contas públicas antes mesmo de ampliar investimentos.

Esse cenário também limita a realização de grandes obras estruturantes, o que pode comprometer a avaliação de qualquer gestão, independentemente da capacidade administrativa do governador. Soma-se a isso a insatisfação de importantes categorias do funcionalismo estadual, como profissionais das forças de segurança e da educação, que reivindicam recomposição salarial e melhores condições de trabalho.

3. O projeto de atuar ao lado do irmão no Senado

Outro elemento que pesa na avaliação é um projeto político antigo da família Azevedo.

O irmão gêmeo de Cleitinho, Gleidson Azevedo (Republicanos), ex-prefeito de Divinópolis, atualmente se coloca como pré-candidato a deputado federal. No entanto, articulações nos bastidores da política mineira indicam que esse cenário ainda pode mudar e que Gleidson poderá disputar uma vaga ao Senado, contando inclusive com o apoio do próprio Cleitinho.

A possibilidade reforça um desejo manifestado pelos irmãos em diversas ocasiões. Durante a trajetória política, eles chegaram a utilizar o slogan “Se um Cleitinho incomoda, imagine dois”, em referência ao projeto de, futuramente, representarem juntos Minas Gerais no Senado Federal.

Caso Cleitinho dispute o Governo de Minas em 2026, esse planejamento tende a ser adiado ou até inviabilizado no curto prazo, já que a eleição para governador mudaria completamente o desenho político da família Azevedo.

4. O momento de luto vivido pela família

O aspecto mais recente envolve a situação pessoal do senador.

No último sábado (18), Matheus Azevedo, irmão mais novo de Cleitinho e de Gleidson Azevedo, morreu após enfrentar uma leucemia. Desde então, o senador reduziu sua agenda pública e praticamente não tem se manifestado sobre o processo eleitoral.

Embora a decisão sobre uma candidatura envolva fatores políticos e estratégicos, aliados reconhecem que o momento de luto vivido pela família também pode influenciar a escolha do parlamentar sobre disputar ou não o Governo de Minas.

Indefinição mantém cenário aberto

Enquanto Cleitinho não anuncia sua decisão, o cenário eleitoral mineiro permanece indefinido. Sua eventual candidatura reorganiza as estratégias de partidos da direita, do centro e até de adversários políticos, enquanto uma eventual desistência abriria espaço para outras candidaturas ao Palácio Tiradentes.

Mesmo liderando as pesquisas de intenção de voto, Cleitinho demonstra que a decisão não depende apenas da viabilidade eleitoral. Questões institucionais, fiscais, familiares e pessoais ajudam a explicar por que o senador ainda não confirmou se entrará na disputa pelo comando de Minas Gerais.

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