O último debate presidencial da TV Globo antes do primeiro turno teve uma reviravolta na noite desta quinta-feira (1º). Renan Santos (Missão), que estava fora da relação de participantes, conseguiu uma liminar do ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF), para participar. Flávio Bolsonaro (PL), que havia confirmado presença, anunciou que não comparecerá.
O encontro começa às 21h30, logo após o Jornal Nacional, com mediação do jornalista César Tralli e transmissão pela TV Globo, GloboNews e Globoplay. É o último debate da emissora antes da votação de domingo (4).
Até então, Flávio estava confirmado, enquanto Renan tentava reverter judicialmente sua exclusão. O Missão não atendia ao requisito de representação parlamentar que assegura o convite obrigatório para debates: pelo menos cinco parlamentares no Congresso. Foi esse critério que deixou o candidato inicialmente fora do encontro.
A decisão de Gilmar determinou que a emissora incluísse Renan, considerando a possibilidade de participação de outro candidato diante da ausência do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), prevista nas regras da própria Globo. Lula já havia comunicado que não iria ao debate.
Flávio fala em interferência do Judiciário
Oficialmente, Flávio atribuiu sua desistência à intervenção do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) nas regras do programa. O candidato classificou a decisão como censura e defendeu liberdade para a imprensa e eleições limpas.
A reclamação se refere à liminar da ministra Estela Aranha, do TSE, que proibiu a Globo de exibir o púlpito vazio identificado com o nome de Lula e de permitir perguntas direcionadas ao presidente ausente. A decisão atendeu a um pedido da campanha petista.
Com isso, ficou impedida uma dinâmica que permitiria aos adversários explorar visualmente a ausência de Lula e dirigir perguntas ao espaço reservado ao candidato.
Confronto com Renan já estava no centro dos bastidores
A desistência de Flávio também recoloca em evidência uma declaração feita por Renan antes da decisão judicial. Na segunda-feira (28), o candidato do Missão disse à coluna Painel, da Folha de S.Paulo, que acreditava que sua presença afastaria o adversário do debate.
“Se eu for, o Flávio não vai. Acho que eles preferem que vá o Flávio”, afirmou Renan, referindo-se à emissora.
Renan vinha criticando publicamente Flávio e avaliava que essa rivalidade dificultava suas chances de receber um convite. A entrada de um e a saída do outro dão força à leitura política de que o candidato do PL evitou um confronto direto com o representante do Missão. Essa interpretação, porém, não é o motivo anunciado por Flávio, que atribuiu sua ausência à decisão do TSE.
Antes do anúncio da desistência de Flávio, a imprensa já antecipava a possibilidade de uma decisão de Gilmar favorável à participação de Renan. O Metrópoles publicou essa informação às 18h17 desta quinta-feira.
Com as mudanças, o debate terá Renan Santos, Ronaldo Caiado (PSD), Romeu Zema (Novo) e Augusto Cury (Avante). Lula e Flávio Bolsonaro ficarão fora do encontro.

