A Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do INSS aprovou, na tarde desta quinta-feira (4), o requerimento que convoca o governador de Minas Gerais, Romeu Zema (Novo), para prestar esclarecimentos. A convocação está relacionada à atuação da Zema Crédito, Financiamento e Investimento, empresa familiar da qual o governador é herdeiro e que opera no mercado de empréstimos consignados, foco das investigações.
A convocação implica que o governador é obrigado a comparecer ao colegiado no Congresso Nacional. No entanto, a ida do mineiro à comissão é vista como uma oportunidade pela equipe do chefe do Executivo, conforme apurado. A avaliação é que, por estar em condição de pré-candidato ao Palácio do Planalto, Romeu Zema pode usar a exposição da comissão para ampliar sua projeção nacional com foco no pleito de 2026 e reforçar as críticas que já tem feito à gestão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) sobre o rombo do INSS.
Oposição solicitou a convocação
O requerimento foi apresentado pelo deputado federal Rogério Correia (PT-MG), que argumenta que a Zema Crédito atua no mercado de empréstimos consignados oferecidos ao público investigado pela CPMI. O parlamentar destacou que auditorias da Controladoria-Geral da União (CGU) teriam identificado falhas e cobrança de taxas acima da média do mercado em consignados vinculados ao Auxílio Brasil, linha de crédito na qual a financeira do grupo figurou entre as instituições autorizadas pelo Banco Central, segundo Correia.
“Esse fato requer especial atenção desta CPMI pelo fato da empresa pertencer ao Grupo Zema — do qual o governador de Minas Gerais reeleito em 2022, Romeu Zema (Novo), é herdeiro e ex-administrador”, diz trecho do requerimento.
Convocação é obrigatória; quebra de sigilo foi negada
Ao ser convocado, Romeu Zema é forçado a comparecer perante a CPMI. A Lei das CPIs prevê que, em caso de ausência sem justificativa aceita pela comissão, os parlamentares podem solicitar condução coercitiva do convocado e comunicar o Ministério Público para análise de eventual crime de desobediência.
Durante a sessão, o deputado Marcel Van Hattem (Novo-RS) tentou argumentar contra a medida, afirmando que a convocação seria uma descortesia. “Eu me pergunto por qual motivo uma pessoa sobre a qual já havia concordância para que viesse por convite, e que inclusive afirmou que viria, o governador Romeu Zema, porque não tem nada a temer, está agora sendo convocado? Isso é uma descortesia”, questionou o parlamentar do Novo.
Um segundo requerimento, que solicitava a quebra dos sigilos bancário e fiscal da Zema Crédito, Financiamento e Investimento, foi rejeitado durante a votação no colegiado.
Em ofício enviado à CPMI, o governador Romeu Zema informou que não integra a administração da empresa desde outubro de 2018. “Não há esclarecimentos sobre as atividades da Zema Crédito que não possam e não devam ser prestados pela diretoria da companhia”, diz trecho do documento, em que ele afirma ainda ser acionista minoritário.
