A Polícia Federal afirma que o deputado federal Euclydes Pettersen (Republicanos-MG) recebeu ao menos R$ 14,7 milhões provenientes do esquema investigado na Operação Sem Desconto, que apura irregularidades no convênio firmado entre o Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) e a Confederação Nacional dos Agricultores Familiares (Conafer).
O valor aparece em documentos internos analisados pelos investigadores. Segundo a PF, o parlamentar era identificado pelo codinome “Herói E” e figurava no topo da lista de beneficiários do esquema. As movimentações financeiras teriam sido operacionalizadas por empresas controladas por Cícero Marcelino de Souza Santos, apontado como operador da estrutura de fraude.
De acordo com a investigação, os repasses coincidiram com liberações de lotes de benefícios e eram feitos por meio de empresas usadas para mascarar a origem dos recursos, como a Fortuna Loterias e a Construtora V L H Ltda. A PF sustenta que as organizações serviam como fachada para operações de lavagem de dinheiro.
No pedido encaminhado ao Supremo Tribunal Federal (STF), a corporação solicita medidas cautelares, incluindo o afastamento do mandato, monitoramento eletrônico e fiança equivalente ao valor recebido, estimado em R$ 14,7 milhões. As determinações foram analisadas pelo ministro André Mendonça, que autorizou buscas e prisões na quarta fase da operação, deflagrada em 13 de novembro.
A ofensiva policial também resultou na prisão do ex-presidente do INSS Alessandro Stefanutto e no cumprimento de dezenas de mandados em vários estados. Segundo laudo pericial, o esquema movimentou mais de R$ 640 milhões por meio de descontos irregulares aplicados em benefícios previdenciários.
Em nota, Pettersen afirmou apoiar o trabalho das autoridades e disse estar à disposição para prestar esclarecimentos. Ele destacou que, em investigações anteriores, denúncias contra ele foram arquivadas por falta de provas ou nem chegaram a ser recebidas pelo Judiciário.
Entre parlamentares que acompanham a CPMI do INSS, a avaliação é que o avanço das investigações demonstra que o núcleo central da fraude está sendo alcançado e que os responsáveis “não ficarão impunes”.


