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Regionalzão – Maior portal do interior de Minas > Notícias > Política > Toffoli diz que venda de fatia em resort a fundos do banco Master foi legal
Política

Toffoli diz que venda de fatia em resort a fundos do banco Master foi legal

Ministro do STF afirma que empresa familiar negociou participações antes de inquérito chegar ao seu gabinete; PF aponta menções suspeitas em conversas de banqueiro

Carlos Cravinhos
Por
Carlos Cravinhos
Publicado 12 de fevereiro de 2026, 11:20
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O ministro Dias Toffoli, do STF (Supremo Tribunal Federal), divulgou nova nota na manhã desta quinta-feira (12) na qual detalha a participação de uma empresa de sua família na venda de cotas de um resort no Paraná a fundos ligados ao banco Master.

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Toffoli é o relator do inquérito que investiga fraudes financeiras na instituição, focadas principalmente na tentativa frustrada de venda do banco ao BRB (Banco de Brasília), operação barrada pelo Banco Central.

O magistrado rompeu o silêncio sobre o caso após a divulgação de um relatório da PF (Polícia Federal) que cita o nome do ministro em diálogos extraídos do celular de Daniel Vorcaro, dono do Master e principal alvo das apurações. O documento foi encaminhado ao presidente do STF, Edson Fachin, que cobrou explicações do colega.

No comunicado desta quinta, o gabinete de Toffoli confirma que o ministro é sócio da Maridt, empresa familiar composta também por irmãos e outros parentes. A defesa sustenta, contudo, que a Loman (Lei Orgânica da Magistratura) permite a participação societária de juízes, desde que não exerçam atos de gestão ou administração.

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Segundo a nota, a venda da participação da Maridt no resort Tayaya, localizado em Ribeirão Claro (PR), ocorreu em duas etapas, ambas declaradas à Receita Federal:

  • A primeira fatia foi vendida ao fundo Arllen em 27 de setembro de 2021;
  • A segunda parte foi negociada com a empresa PHD Holding em 21 de fevereiro de 2025.
Foto: Agência Brasil

O argumento central da defesa é temporal. O gabinete ressalta que o inquérito sobre as fraudes no Banco Master só chegou ao gabinete de Toffoli em novembro do ano passado (2025), momento em que a empresa de sua família já não deteria participação no empreendimento hoteleiro.

O texto é enfático ao negar proximidade pessoal com o banqueiro investigado. Toffoli afirma que “jamais teve qualquer relação de amizade e muito menos amizade íntima com o investigado Daniel Vorcaro”. O ministro também diz que nunca recebeu valores de Vorcaro ou de Fabiano Zettel, cunhado do banqueiro.

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O relatório da PF, entregue a Fachin no último dia 9, levanta a tese de suspeição de Toffoli para julgar o caso. O documento transcreve conversas entre Vorcaro e Zettel, apontado como um contador informal do esquema, que citariam o ministro no contexto das negociações do resort Tayaya.

Em manifestação preliminar na noite de quarta (11), Toffoli já havia classificado o pedido de suspeição da PF como “ilações”, argumentando que a corporação não possui legitimidade legal para requerer o afastamento de magistrados. As explicações detalhadas serão enviadas formalmente a Fachin.

A revelação do negócio imobiliário aprofunda o desgaste de Toffoli na condução do caso Master. O ministro já vinha sendo alvo de questionamentos desde dezembro, quando foi revelado que ele viajou em um jatinho particular na companhia do advogado de um dos investigados.

Decisões recentes no processo também geraram controvérsia. Em um episódio considerado atípico, Toffoli determinou que as provas da Operação Compliance Zero fossem remetidas diretamente ao STF antes mesmo de passarem pela perícia técnica da PF. Após repercussão negativa, o ministro recuou, mas manteve a prerrogativa de indicar os peritos responsáveis pela análise do material.

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