O Tribunal Regional Eleitoral de Minas Gerais (TRE-MG) abriu uma frente de investigação para descobrir se uma conta que difundiu um relatório falso atribuído à Polícia Federal tem ligação direta com a equipe do deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG).
A apuração mira especialmente o perfil “nikolasferreirateam”, apontado na decisão judicial como responsável pelo primeiro compartilhamento, no Instagram, do documento falsificado. O material afirmava que a PF não teria encontrado indícios de irregularidades envolvendo Nikolas e o empresário Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master.
O desembargador Sálvio Chaves, relator do caso no TRE-MG, determinou que a Meta informe, em até 24 horas, se existe vínculo entre a conta “nikolasferreirateam” e o perfil oficial de Nikolas Ferreira.
A empresa deverá verificar, inclusive, eventual coincidência de administradores ou de dispositivos utilizados para acessar as duas contas. Na prática, a Justiça Eleitoral tenta descobrir se o perfil que colocou o documento falso em circulação é administrado por integrantes da própria equipe do parlamentar.
Meta e X terão de preservar dados
A decisão também determinou que Meta e X preservem integralmente os dados relacionados aos perfis que divulgaram o falso relatório.
Entre as informações que deverão ser mantidas estão dados cadastrais dos titulares e administradores, registros de acesso, metadados, números de visualizações, curtidas e comentários, além do histórico de eventuais impulsionamentos pagos. O magistrado justificou a urgência pelo risco de perda ou alteração de provas digitais.
As plataformas também deverão disponibilizar dados dos responsáveis pelas contas, incluindo informações associadas aos usuários e administradores dos perfis investigados.
Documento falso atribuía conclusão à Polícia Federal
O relatório forjado apresentava supostos diálogos envolvendo Nikolas Ferreira e Daniel Vorcaro e atribuía à Polícia Federal uma conclusão segundo a qual não existiriam elementos suficientes para justificar uma investigação específica contra o deputado.
O problema é que esse conteúdo não correspondia ao relatório verdadeiro. Segundo a ação apresentada à Justiça Eleitoral, o trecho falso aparecia como se estivesse na página 156 de um documento de 218 páginas, enquanto a página correspondente no material original possuía conteúdo completamente diferente.
A circulação ocorreu após a divulgação de áudios envolvendo Nikolas e Vorcaro. Em uma das gravações divulgadas, o parlamentar pedia ajuda ao empresário para tratar da liberação de um ativo de minério relacionado a um ex-assessor. Nikolas nega ter cometido qualquer irregularidade na relação com Vorcaro.
Rogério Correia acionou o TRE-MG
A nova ação foi apresentada pelo deputado federal Rogério Correia (PT-MG). Diferentemente de uma representação anterior envolvendo o mesmo documento, que acabou extinta sem análise do mérito por questões processuais, a nova iniciativa levou o TRE-MG a determinar a preservação e obtenção de dados capazes de identificar a origem e os responsáveis pela circulação do material.
Nikolas também será formalmente notificado. O desembargador concedeu prazo de cinco dias para que o parlamentar apresente sua defesa.
Procurada pelo Regionalzão nesta sexta-feira (11), a equipe do deputado não havia respondido até a publicação da reportagem.

