TRE-MG apura se perfil ligado a Nikolas foi origem de relatório falso atribuído à PF

Tribunal determinou que Meta verifique se conta que publicou primeiro o documento forjado compartilha administradores ou dispositivos com o perfil oficial do deputado

Eloi Naves
Deputado Nikolas Ferreira em coletiva de imprensa em Uberlândia, setembro de 2025
Nikolas Ferreira em visita a Uberlândia-MGFoto: Regionalzão

O Tribunal Regional Eleitoral de Minas Gerais (TRE-MG) abriu uma frente de investigação para descobrir se uma conta que difundiu um relatório falso atribuído à Polícia Federal tem ligação direta com a equipe do deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG).

A apuração mira especialmente o perfil “nikolasferreirateam”, apontado na decisão judicial como responsável pelo primeiro compartilhamento, no Instagram, do documento falsificado. O material afirmava que a PF não teria encontrado indícios de irregularidades envolvendo Nikolas e o empresário Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master. 

O desembargador Sálvio Chaves, relator do caso no TRE-MG, determinou que a Meta informe, em até 24 horas, se existe vínculo entre a conta “nikolasferreirateam” e o perfil oficial de Nikolas Ferreira.

A empresa deverá verificar, inclusive, eventual coincidência de administradores ou de dispositivos utilizados para acessar as duas contas. Na prática, a Justiça Eleitoral tenta descobrir se o perfil que colocou o documento falso em circulação é administrado por integrantes da própria equipe do parlamentar. 

Meta e X terão de preservar dados

A decisão também determinou que Meta e X preservem integralmente os dados relacionados aos perfis que divulgaram o falso relatório.

Entre as informações que deverão ser mantidas estão dados cadastrais dos titulares e administradores, registros de acesso, metadados, números de visualizações, curtidas e comentários, além do histórico de eventuais impulsionamentos pagos. O magistrado justificou a urgência pelo risco de perda ou alteração de provas digitais. 

As plataformas também deverão disponibilizar dados dos responsáveis pelas contas, incluindo informações associadas aos usuários e administradores dos perfis investigados. 

Documento falso atribuía conclusão à Polícia Federal

O relatório forjado apresentava supostos diálogos envolvendo Nikolas Ferreira e Daniel Vorcaro e atribuía à Polícia Federal uma conclusão segundo a qual não existiriam elementos suficientes para justificar uma investigação específica contra o deputado.

O problema é que esse conteúdo não correspondia ao relatório verdadeiro. Segundo a ação apresentada à Justiça Eleitoral, o trecho falso aparecia como se estivesse na página 156 de um documento de 218 páginas, enquanto a página correspondente no material original possuía conteúdo completamente diferente. 

A circulação ocorreu após a divulgação de áudios envolvendo Nikolas e Vorcaro. Em uma das gravações divulgadas, o parlamentar pedia ajuda ao empresário para tratar da liberação de um ativo de minério relacionado a um ex-assessor. Nikolas nega ter cometido qualquer irregularidade na relação com Vorcaro. 

Rogério Correia acionou o TRE-MG

A nova ação foi apresentada pelo deputado federal Rogério Correia (PT-MG). Diferentemente de uma representação anterior envolvendo o mesmo documento, que acabou extinta sem análise do mérito por questões processuais, a nova iniciativa levou o TRE-MG a determinar a preservação e obtenção de dados capazes de identificar a origem e os responsáveis pela circulação do material. 

Nikolas também será formalmente notificado. O desembargador concedeu prazo de cinco dias para que o parlamentar apresente sua defesa.

Procurada pelo Regionalzão nesta sexta-feira (11), a equipe do deputado não havia respondido até a publicação da reportagem. 

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