Em 53% dos municípios mineiros, doença é sinônimo de viagem. É que, mesmo para exames simples, os moradores dessas cidades precisam viajar para municípios vizinhos a fim de receber o atendimento. E, se o caso for mais grave e o paciente precisar ser internado, a viagem será ainda mais longa. Em 71% das cidades mineiras não existem leitos de internação. Os dados são da Pesquisa de Informações Básicas Estaduais (Estadic), divulgados nesta quarta pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
Em números absolutos, dos 853 municípios mineiros, 457 não contam com equipamentos necessários para realização de exames, e 605 não têm unidades para internação.
Dores do Turvo, na Zona da Mata, é um dos municípios onde as internações e os exames mais complexos têm que ser realizados fora da cidade. Esse foi o caso do aposentado José Lino, 71, que teve que enfrentar mais de 200 km e quatro horas de viagem para fazer uma cirurgia de catarata em Belo Horizonte. “Se pelo menos tivesse hospitais maiores perto de nossa região, o deslocamento seria mais fácil”, explicou.
A solução para esses deslocamentos está na conclusão dos hospitais regionais. Dos 12 que deveriam estar em operação, apenas um foi concluído, o de Uberlândia, no Triângulo. E essa é a aposta da Secretaria de Estado de Saúde, que afirma estar trabalhando para que as obras dos 11 hospitais restantes sejam concluídas o mais rápido possível.
Ponto positivo. Se por um lado é preciso avançar, por outro, Minas Gerais se destacou. Foi no caso do número de equipes do Programa Saúde da Família. A ação está presente em 479 (56,1%) municípios do Estado, com um número de equipes que só é superado pelo Estado de São Paulo. Enquanto Minas Gerais tem 5.051 equipes, os paulistas contam com 5.092.
Cada grupo conta com um médico, e o número de enfermeiros pode variar. Nas equipes em Minas Gerais há mais enfermeiros que no Estado de São Paulo. São 5.226 atuando nos municípios mineiros, contra 5.104 nas cidades paulistas.
No número total de servidores da saúde, Belo Horizonte também ocupa a segunda posição, com 187.296 profissionais, sendo que desse total 19.048 são médicos.
Estado deixa a desejar em inclusão
Desconectado. A pesquisa do IBGE mostrou que Minas Gerais anda com dificuldades com o mundo digital. Apenas 18,2% dos municípios mineiros oferecem serviço de Wi-Fi em locais públicos. Além disso, o governo do Estado não conta com nenhuma política de internet sem fio, problema que ocorre apenas no Acre, Tocantins e Pará.
Política LGBT. Apenas 7% das cidades brasileiras contam com ações voltadas para a população de lésbicas, gays, bissexuais, travestis e transexuais. Em Minas Gerais, apenas cinco municípios dos 853 contam com alguma ação de proteção à comunidade LGBT, o que representa 0,5% do total.
Nome social. Quando o assunto é reconhecimento do nome social de travestis e transgêneros, este número cai ainda mais. Em Minas Gerais, apenas três cidades já realizam essa prática (Belo Horizonte é uma delas). Em todo o Brasil, são 29 municípios que fazem esse reconhecimento. Levando em consideração um universo com 5.570 cidades, isso representa 0,5% do total.
UTI Neonatal
Disponibilidade.Apenas 6,5% das cidades do Brasil contam com UTI neonatal. Em Minas Gerais esse percentual é maior e chega a 18%, representando 156 municípios.
Funcionalismo cresce 66,7%
Segundo o IBGE, o número de servidores públicos municipais subiu 66,7% em 13 anos. Entre as cinco cidades do Brasil com a maior proporção de funcionários por população, duas são mineiras. Serra da Saudade, na região Central, é a líder do ranking, com 25,8 habitantes por servidor. Em segundo lugar está Grupiara, no Triângulo, com 22,9.
Em comum entre elas está uma população que não ultrapassa 1.500 habitantes. Serra da Saudade tem 822 moradores, enquanto Grupiara tem apenas 1.373.
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