Minas Gerais lidera alta no número de pessoas desaparecidas no país em 2025

Sirley de Araújo
Foto: Divulgação

O estado de Minas Gerais registrou a maior subida proporcional no índice de pessoas desaparecidas em todo o território nacional durante o ano de 2025. Segundo os dados apurados pelo 20º Anuário Brasileiro de Segurança Pública, publicado pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública, os órgãos policiais mineiros contabilizaram 9.123 ocorrências. Esse volume representa um salto de 30,5% na comparação direta com os 6.970 casos confirmados no ano anterior.

Com esse crescimento expressivo, a taxa de sumiços em solo mineiro alcançou a marca de 42,6 registros para cada grupo de 100 mil moradores, superando os 32,7 observados no período antecedente. Dessa forma, a expansão verificada no estado superou o ritmo registrado em unidades federativas como o Maranhão, que teve elevação de 29,8%, e o Piauí, com variação positiva de 20,5%. No plano nacional, o Brasil anotou 84.269 notificações em 2025, o que equivale a um acréscimo de 3,6% sobre os 81.040 casos de 2024. A média do país fixou-se em 39,5 ocorrências por 100 mil habitantes, patamar inferior ao indicador mineiro.

Falta de motivo único exige investigações abrangentes

Apesar do aumento acentuado, o levantamento destaca que o território mineiro não apresenta um histórico consolidado de conflitos territoriais entre facções criminosas. Além disso, os especialistas ressaltam que não existe comprovação formal ligando esse avanço diretamente ao crime organizado. Consequentemente, a ausência de um fator determinante isolado torna indispensável a atuação conjunta das forças policiais para investigar as fragilidades locais que impulsionam essas oscilações.

Historicamente, as estatísticas sobre desaparecimentos vêm apresentando mudanças constantes. Durante o período crítico da pandemia de Covid-19, entre 2019 e 2020, o isolamento social provocou uma retração temporária nas notificações. Contudo, a partir de 2021, o fluxo de registros voltou a crescer de maneira contínua em diversas regiões do país.

Gargalos na legislação e na gestão das informações

Atualmente, o principal obstáculo enfrentado pelas autoridades reside na falta de divisão tipificada das causas. Isso ocorre porque o sistema atual agrupa sob a mesma rubrica policial ocorrências de naturezas totalmente distintas. Portanto, episódios cotidianos como saídas voluntárias, distúrbios de saúde mental ou desentendimentos familiares acabam registrados da mesma forma que crimes graves, a exemplo de violência doméstica, exploração sexual, tráfico de pessoas e ocultação de cadáveres.

Diante desse cenário, especialistas defendem alterações no arcabouço jurídico para aperfeiçoar o trabalho investigativo. Um dos mecanismos em debate é o Projeto de Lei 6.240/2013, que visa classificar o desaparecimento forçado como crime hediondo e imprescritível, permitindo adotar estratégias policiais sob medida para cada tipo de caso.

Além das barreiras normativas, o controle de dados sobre indivíduos localizados ainda sofre com falhas de atualização e falta de padronização técnica nos estados. Muitas vezes, as estatísticas não esclarecem se o cidadão foi encontrado com vida nem indicam o ano em que o sumiço ocorreu. Para completar o quadro, o Banco Nacional de Perfis Genéticos contabilizava 13.424 amostras de restos mortais sem identificação até novembro de 2025, um gargalo agravado pela carência de recursos financeiros e de peritos especializados no setor.

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