O avanço acelerado da inteligência artificial trouxe à tona uma questão pouco discutida fora do meio técnico: o elevado consumo de água pelos data centers. Essas estruturas, responsáveis por armazenar dados e processar algoritmos complexos, especialmente os voltados à IA, operam de forma contínua e exigem sistemas robustos para controle de temperatura.
O principal fator por trás desse consumo está no calor gerado pelos equipamentos. Processadores utilizados em aplicações de inteligência artificial trabalham em alta intensidade, elevando rapidamente a temperatura dos servidores. Para evitar falhas, quedas de desempenho e danos aos componentes, os data centers recorrem a sistemas de resfriamento que, em muitos casos, utilizam grandes volumes de água.
Entre os métodos mais comuns estão torres de resfriamento, sistemas evaporativos e circuitos líquidos, nos quais a água absorve o calor gerado pelos servidores e o dissipa para o ambiente. Quanto maior a capacidade de processamento — como nos centros dedicados à inteligência artificial — maior tende a ser a demanda por refrigeração e, consequentemente, por água.
Além do consumo direto nos sistemas de resfriamento, existe também um impacto indireto relacionado à geração de energia elétrica. No Brasil, onde a matriz energética é majoritariamente hidrelétrica, a produção de eletricidade depende de grandes volumes de água armazenados em reservatórios. Embora essa água não seja consumida integralmente, há perdas por evaporação e forte dependência dos níveis dos rios, o que amplia a sensibilidade do tema em períodos de estiagem.
Esse debate ganhou notoriedade local após o anúncio da implantação de um data center de inteligência artificial em Uberlândia, com investimento estimado em cerca de R$ 6 bilhões. O projeto colocou a cidade no centro das discussões sobre os impactos ambientais e a infraestrutura necessária para empreendimentos de grande porte voltados à economia digital.
Segundo o prefeito de Uberlândia, Paulo Sérgio, o modelo de data center previsto para o município adota tecnologias mais modernas, com sistema de recirculação hídrica, reduzindo significativamente a necessidade de captação contínua de água para resfriamento. Ele também ressaltou que a ampliação da capacidade energética da cidade está sendo planejada de forma paralela ao projeto, com novas subestações direcionadas especificamente para atender o empreendimento, sem comprometer o abastecimento local.
Apesar da adoção de soluções mais eficientes, o crescimento acelerado da inteligência artificial tende a manter a pressão sobre recursos naturais, especialmente água e energia. O desafio do setor é equilibrar a expansão da capacidade computacional com inovação tecnológica, planejamento urbano e sustentabilidade ambiental.
