Direto, como quem conhece o peso de cada palavra em uma feira de produtores. Ronaldo Caiado, pré-candidato à Presidência da República, passou por Uberlândia nesta segunda (31) durante a Femec 2025 e fez questão de marcar posição: “Se você apoia a democracia, cê não governa sozinho”.
A declaração veio após uma pergunta incisiva sobre como equilibrar o discurso para além da base conservadora, especialmente em eventos como a Femec, onde o público tende à direita. Caiado foi claro: governar é sobre resultados e respeito institucional.
Ao citar sua experiência em Goiás, o governador enfatizou que liderar é sentar à mesa com todos os poderes: “Presidente do Tribunal de Justiça, Assembleia, Ministério Público, Defensoria e Tribunal de Contas. Eu sento com todos. A gente governa com seriedade e harmonia”.
No bastidor, o discurso sinaliza uma tentativa de ampliar o leque eleitoral. Caiado aposta no perfil de gestor equilibrado e avesso à “briga pela briga”. Ele sabe que precisa conquistar o eleitorado que, cansado da polarização, busca uma figura de liderança capaz de dialogar.
Mas será que esse discurso “republicano” cola em 2026?
Enquanto acena para o centro, Caiado endurece contra o PT: “Esse pessoal tá totalmente desconectado. São coniventes com o crime e com a corrupção”. O tom sobe, e o goiano arrisca: “Lula 3 é Dilma 1. Quem vai querer Lula 4 e Dilma 2?”.
A estratégia é dupla: mostrar-se pronto para unir, mas sem abrir mão de atrair o eleitor fiel da direita. Um pé no equilíbrio, outro no confronto. A dúvida que fica é se o Brasil, nesse momento, quer mais pacificação ou mais embate.
Essa análise faz parte da Coluna Poder, assinada por Adelino Júnior, que acompanha os bastidores da política regional.